Aula 05 – A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO

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1º Trimestre/2014 – 
Texto Básico: êxodo 14:15,19-26


  “O Senhor é a minha luz e o meu cântico; Ele me foi por salvação; este é o meu Deus[…]” (Ex 15:2)

INTRODUÇÃO

Após todos os juízos espetaculares de Deus sobre o Egito, seu rei e seus falsos deuses, o povo de Deus é liberto da escravidão e caminha, guiado por Deus, em direção à Terra Prometida. O povo teve que esperar 430 anos até o dia glorioso da liberdade. Só que o juízo de Deus sobre os exatores do seu povo ainda faltava a última cena, e isto se daria num dos mais impressionantes acontecimentos: a travessia do Mar Vermelho (ou mais acertadamente, mar de juncos). A saída do povo de Deus do Egito foi algo marcante, tanto para os israelitas como para os egípcios. Apesar de toda a desgraça sobre seu país, seus falsos deuses e sobre a sua casa, Faraó não quis aceitar a derrota tão facilmente e se levantou para sua última investida; não estava disposto deixar o povo de Deus partir (Ex 14:5), por isso, ele reuniu seu exército e saiu em perseguição ao povo de Deus. O Inimigo não desiste facilmente, por isso precisamos buscar em Deus forças para resisti-lo. A Palavra de Deus nos ensina: “resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4:7). Se você é um servo fiel ao Senhor, saiba que durante sua caminhada até o Céu encontrará muitos “Faraós” que lhe resistirão. Você está preparado para enfrentá-los? Com Deus nos guiando seremos vencedores!


I. A TRAVESSIA DO MAR


1. A saída do Egito (Ex 12:11,37). Depois de 430 anos nos quais, na maior parte desse tempo, viveram como escravos, o povo hebreu saiu do Egito. Mas ao deixar o Egito, não saiu com as mãos vazias. Ele despojou os egípcios. Foi um momento de grande celebração.


A Bíblia diz que, ao todo, saíram do Egito cerca de 600 mil homens a pé, sem contar mulheres e crianças (Êx 12:37), ou seja, provavelmente 2 milhões de pessoas. A rota foi escolhida por Deus e ele mesmo se constituiu em guia de seu povo, manifestando-se em uma coluna de nuvem e de fogo durante todo o trajeto rumo à Terra Prometida (Ex 13:21,22).


A rota escolhida pelo Senhor foi a mais longa (Ex 13:18). Por que Ele não conduziu os hebreus pela rota curta ao longo da linha costeira do mar Mediterrâneo? Porque nesta rota havia fortes guarnições egípcias, e na região de Canaã os esperava os belicosos povos cananeus, que eram assaz experientes em guerras. Como escravos recém-libertos, os hebreus não estavam treinados para embates e a fé em Deus ainda era fraca. O Senhor conhecia a força limitada do seu povo e o protegeu de tentações inadequadas. Por vezes, os caminhos de Deus não são os mais simples e diretos. Além do mais, o Senhor os levou ao sul, para o mar Vermelho (possivelmente o mar de juncos), a fim de levar Faraó à sua derrota final e, desse modo, destruir a ameaça egípcia e libertar para sempre os israelitas do Egito.


Silas Daniel diz que “Deus muitas vezes nos leva a ‘caminhos mais longos’, que não entendemos. E Ele o faz porque quer nos levar a experiências extraordinárias com Ele. Seja qual for o caminho pelo qual Deus o está levando hoje, se é Ele mesmo quem está conduzindo você, então confie, creia e espere, porque, no final, vai dar tudo certo. Lembre-se: ‘Todas as coisas cooperam para o bem daquels que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito’” (Rm 8:28, ARA).


Observação: A palavra “armados” em Êx 13:18, embora seja um termo militar no original hebraico, deve ser referência à maneira organizada da marcha.


2. A perseguição de Faraó (Êx 14:5-9). Deus colocou os hebreus em uma situação muito perigosa. Estavam encerrados por montanhas, pelo deserto e pelo mar, e de repente viram o exército de Faraó que se aproximava deles. Você consegue imaginar o desespero dos israelitas ao verem Faraó e seu exército vindo em sua direção? Os hebreus ficaram desesperados, pois parecia não haver saída; eles estavam encurralados. Os israelitas clamaram ao Senhor (Ex 14:10) e Ele lhes ouviu. Deus quis revelar-se como o Único guerreiro da batalha e protetor de seu povo dando-lhe um livramento inesquecível (Ex 14:4,14-18). O Senhor ouve e responde às orações do seu povo (Jr 33:3).


3. A ruína de Faraó e seu exército (Êx 14:26-31). Ao verem o exército de Faraó se aproximando com fúria e sede de vingança, os hebreus perderam a confiança e começaram a lançar culpa sobre Moisés – “E disseram a Moisés: Não havia sepulcros no Egito, para nos tirares de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, que nos tens tirado do Egito? Não é esta a palavra que te temos falado no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios? Pois que melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto” (Ex 14:11,12). Apesar de há poucos dias vendo tão grandes feitos de Deus sobre o Egito o povo ficou cego de medo e não enxergou a presença de Deus ao redor deles. Seus olhos estavam fechados e a fé tinha esmaecida. O povo, realmente, precisava de uma maior experiência com Deus, precisava conhecê-lo melhor.


Moisés não precisava pensar, precisa agirTiago afirma que o resultado de nossa fé tem que ser ação, tem que resultar em gestos práticos, tem que resultar em movimento na direção de se fazer algo de concreto (Tg 2:26).


Moisés disse ao povo: “Não temais; estai quietos e vede o livramento do SENHOR, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre. O SENHOR pelejará por vós, e vos calareis. Então, disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Ex 14:13-15). Certamente indagaram: “Marchar para onde? Para o mar?”. 


Disse mais o Senhor a Moisés:


“E tu, levanta o teu cajado, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco, e os egípcios saberão que eu sou o SENHOR, quando for glorificado em Faraó, e nos seus carros, e nos seus cavaleiros. Então, Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o SENHOR fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel foram pelo meio do mar em seco: e as águas foram-lhes como muro à sua mão direita e à sua esquerda. E os egípcios seguiram-nos, e entraram atrás deles todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até ao meio do mar. Então, Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retomou a sua força ao amanhecer, e os egípcios fugiram ao seu encontro; e o SENHOR derribou os egípcios no meio do mar, porque as águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nem ainda um deles ficou. Assim, o SENHOR salvou Israel naquele dia da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. E viu Israel a grande mão que o SENHOR mostrara aos egípcios; e temeu o povo ao SENHOR e creu no SENHOR e em Moisés, seu servo “(Ex 14:16-31).


O povo de Israel atravessou o mar e os egípcios quiseram imitá-los, mas o Senhor os arruinou (Êx 14:27). O livramento era para o povo de Deus, não para os inimigos. Agora, Faraó e seu exército estão arruinados. Você pertence ao povo de Deus? Então não temas, marche! Há livramento para você!
II. O CÂNTICO DE MOISÉS
Diante de tão grande livramento ninguém poderia ficar calado. Todos cantaram louvores ao Senhor e o adoraram pelo triunfo. Foi uma alegria coletiva nunca vista antes na história do povo de Deus. Cada detalhe da travessia do mar Vermelho fora elaborado para que o Senhor fosse glorificado: Deus foi glorificado ao libertar Israel do Egito; Deus foi glorificado ao punir o Egito, uma nação pecadora e idólatra; Deus foi glorificado ao fortalecer a fé de Israel; Deus foi glorificado em Moisés, ao edificar e fortalecer sua fé.


Tem você celebrado a Deus pelas vitórias? Seu coração é grato ao Senhor? Então ofereça a Ele sacrifício de louvor, não somente por bênçãos recebidas, mas, sobretudo, pelo que Ele é: Senhor, Redentor, Deus único e Verdadeiro. Todavia, recomenda Moisés: “Quando oferecerdes sacrifico de louvores ao SENHOR, fá-lo-eis para sejais aceitos”(Lv 22:29).


Recomenda o salmista:


“Celebrai com júbilo ao SENHOR, todos os moradores da terra. Servi ao SENHOR com alegria e apresentai-vos a ele com canto. Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele, e não nós, que nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto. Entrai pelas portas dele com louvor e em seus átrios, com hinos; louvai-o e bendizei o seu nome. Porque o SENHOR é bom, e eterna, a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração” (Salmo 100).
1. Moisés celebra a Deus pela vitória (cf. Ex 15:1-19). Moisés celebrou ao Senhor com um cântico. A sua composição é animada por uma verdadeira emoção que revela a alegria da salvação e sua fé. A primeira parte do cântico de Moisés (Êx 15:1-12) trata da vitória sobre os egípcios, e a segunda parte (Êx 15:13-19), profetiza a conquista de Canaã. Foi composto para reconhecer a bondade e o inigualável poder do Senhor mediante os quais salvou o seu povo.


Certamente, a travessia do mar Vermelho prefigura a derrota do último e mais formidável inimigo do povo de Deus, pois o cântico de Moisés e do Cordeiro será cantado novamente pelos redimidos no Céu (cf Ap 15:3,4). Também se observa que o livramento final do povo de Deus, descrito no Apocalipse, será efetuado pelos mesmos meios que Deus empregou no êxodo: juízos sobre seus inimigos e redenção pelo sangue do Cordeiro.


2. Miriã juntamente com as mulheres louvam a Deus (Ex 15:20-21). “Então, Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao SENHOR, porque sumamente se exaltou e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro”.


Miriã louvou a Deus, juntamente com todas as mulheres. Elas se reuniram por iniciativa própria para dançar e louvar ao Senhor. As danças eram equivalentes ao ato de pular de alegria. Certamente, quando o texto diz que elas dançavam, não está se referindo a nenhum movimento corporal escandaloso, mas a atos e gestos solenes de louvor e adoração.


Na cultura do Antigo Oriente as danças eram usadas como manifestação popular pelas vitórias militares obtidas, e eram geralmente lideradas pelas mulheres. Foi o caso com a dança de Miriã, a filha de Jefté (Jz 11:34), as mulheres de Judá (1Sm 18:6) e a própria dança de Davi (2Sm 6:20). Ao que parece, o povo saía em passeata dançando em roda (sobre dança de roda, veja Juízes 21:21,23-ARA).


Alguém poderá indagar: Se Miriã dançou de alegria na presença de Deus, e se o rei Davi também dançou diante da arca de Deus, quando a mesma estava sendo trazida de volta para Jerusalém, por que nós não podemos, da mesma forma, expressar nossa alegria diante de Deus em nossos cultos, com danças de caráter religioso? Não acredito que devamos fazer normas ou estabelecer princípios gerais para a vida da igreja simplesmente a partir de atos, ações, eventos, incidentes envolvendo os heróis da Bíblia. Nem tudo o que aconteceu na vida deles pode virar paradigma para os cristãos. A não ser aquelas coisas que a própria Bíblia determina. Até onde eu sei, nos cultos determinados por Deus no Antigo Testamento não havia dança alguma. Deus não determinou a dança como elemento de culto, não há qualquer registro de que as mesmas fizessem parte do culto que lhe era oferecido no templo. E acho que os apóstolos e primeiros cristãos entenderam dessa forma, pois não há danças nos cultos do Novo Testamento.


3. Celebrando a Deus. “O SENHOR reinará eterna e perpetuamente. Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavaleiros, entraram no mar, e o SENHOR fez tornar as águas do mar sobre eles; mas os filhos de Israel passaram em seco pelo meio do mar”(Êx 15:18,19).


O cântico de Moisés e das mulheres lideradas por Miriã, falam a respeito de redenção. Israel havia sido remido e seus inimigos destruídos. Quando consideramos que Deus nos remiu do pecado e do inferno, nosso louvor deveria passar a ter um lugar de importância. Hoje, nosso cântico fala a respeito da redenção feita pelo Cordeiro de Deus. Um dia, no Céu, nós incluiremos junto a este o cântico de Moisés, ao contemplarmos a vitória de Cristo sobre as duas “bestas” (o Anticristo e o falso Profeta) e o ardiloso dragão (Satanás, Diabo) (Ap 15:1-4).
III. A PROTEÇÃO E O CUIDADO DE DEUS COM SEU POVO
1. Uma coluna de nuvem guiava o povo de Deus (Ex 13:21,22; 40:36-38). “E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante da face do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite” (Êx 13:21,22).


Deus colocou as colunas de nuvem e de fogo como evidências da sua presença, do seu amor e do seu cuidado por Israel (cf Êx 40:38; Nm 9:15-23; 14:14; Dt 1:33; 1Co 10:1). Representavam a glória de Deus e são conhecidas como Shekiná, termo derivado de uma palavra hebraica que significa “habitação”.


Segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, Deus concedeu aos hebreus as colunas de nuvem e de fogo para que eles soubessem que a presença de Deus os acompanharia dia e noite durante a jornada para a Terra Prometida. O que Deus nos tem oferecido para que possamos ter esta mesma certeza? A Bíblia Sagrada – algo que os hebreus não possuíam. Leia e estude a Palavra de Deus para assegurar-se da presença dEle. Assim como os hebreus olhavam para aquelas colunas, também podemos ler a Palavra de Deus de dia e de noite para sabermos que Ele está conosco e nos ajuda em nossa jornada rumo ao Céu.


2. Deus cuida do seu povo (Ex 16:4; Dt 29:5). Deus estava presente durante toda a peregrinação de Israel no deserto, porque Ele cuida do seu povo. As colunas de nuvem e de fogo constituem exemplos de teofania (uma manifestação física de Deus). Desse modo, Deus iluminou o caminho de Israel, o guiou e o protegeu dos inimigos (Êx 14:19,20), qualidades que representam perfeitamente o Senhor Jesus Cristo. Também providenciou segurança e controlou os movimentos do seu povo, inspirando o ardente zelo que este deveria ter pelo seu Deus. Também Deus lhes proveu de alimento durante os quarenta anos da jornada pelo deserto – “Então, disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não” (Êx 16:4). O Senhor não mudou. Ele cuidou do seu povo na travessia do deserto e também cuida, em todo o tempo, de nós, o povo da nova aliança, porque, também, o “deserto” faz parte de nossa jornada rumo à “Terra Prometida”, o Céu.


CONCLUSÃO
A travessia do mar Vermelho, mediante os atos portentosos de Deus para abrir o mar, representa uma das maiores manifestações do poder de Deus no Antigo Testamento. Um estudioso observa que a travessia do mar Vermelho foi para Israel a salvação, a redenção e o juízo de Deus, tudo em um mesmo ato. Por isso é semelhante ao batismo em água (1Co 10:1,2) como símbolo da separação do cristão do mundo e o sepultamento de seu pecados. Os cadáveres dos egípcios na margem do mar representam a velha vida de servidão ultrapassada, pois os seus exatores foram destruídos para sempre – “Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavaleiros, entraram no mar, e o SENHOR fez tornar as águas do mar sobre eles; mas os filhos de Israel passaram em seco pelo meio do mar” (Ex 15:19). A maior demonstração de todos os tempos consiste, porém, na ressurreição de Cristo dentre os mortos.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com


Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Revista Ensinador Cristão – nº 57 – CPAD.
Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.
Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.
Leo G. Cox –  O Livro de Êxodo – Comentário  Bíblico Beacon. CPAD.
Victor P. Hamilton – Manual do Pentateuco. CPAD.
Silas Daniel – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.

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