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Educação de berço, a garantia do sucesso!

 

É na contramão do mundo que a Bíblia testifica o velho ditado da vovó: Educação vem de berço!

Se por um lado apregoam o enfraquecimento e até mesmo o fim da instituição familiar, pesquisas e estudos diversos mostram quão importante é a presença dos pais na formação, educação e transformação da criança num cristão e cidadão bem sucedido.

Num cenário de frequentes tragédias envolvendo pessoas públicas, tem merecido destaque a presença e a educação dada pelos pais – ou a falta delas – na criação dos filhos. Exemplos não faltam, desde Michael Jackson até o do jogador de futebol Bruno Fernandes, ex-goleiro do Flamengo.

Longe de querer justificar seus atos e escolhas, a presença ou a ausência dos pais e do que eles transmitem têm impacto marcante nos primeiros anos de vida das crianças. Hoje, aliás, a Ciência afirma que essa influência é ainda mais precoce, estendendo-se até mesmo à fase uterina. Um estudo realizado por pesquisadores da University of South Florida, nos Estados Unidos, e divulgado pelo portal de notícias R7, aponta que a presença da figura paterna ainda durante a gravidez seria responsável pela diminuição da mortalidade durante o primeiro ano de vida do bebê. De acordo com Amina Alio, principal autor do estudo, uma proporção significativa das mortes infantis poderia ser evitada se os pais se envolvessem mais. Crianças com pais ausentes apresentaram mais chances de nascer prematuras, com baixo peso e pequenas para a idade gestacional.

“A PRESENÇA OU A AUSÊNCIA DOS PAIS E DO QUE ELES TRANSMITEM TÊM IMPACTO MARCANTE NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA DAS CRIANÇAS.”

“A antiga frase que virou chavão nos tempos de nossa avó: ‘Educação vem de berço’ é a mais pura realidade, pois isso é comprovado pela Ciência, pela Pedagogia, Psicologia e tudo está na Palavra de Deus. As crianças, desde o ventre, ouvem, sentem, interagem, registram sentimentos que cercam sua vida uterina, e depois de nascerem continuam a se desenvolver de uma forma impressionante e acelerada”, disse a educadora, escritora e pastora de crianças Cláudia Guimarães.

Segundo ela, os adultos tendem a pensar que a primeira infância é uma página em branco na vida do ser humano. “Alguns pensam que criança não entende lá muita coisa, mas é justamente o contrário. É nos primeiros seis anos de vida de um ser humano que se forma a personalidade, onde há janelas de oportunidade para o aprendizado, é onde tudo é sedimentado para a sua estrutura”, disse a pastora, que é autora de diversos livros infanto-juvenis e também mentora de uma campanha de combate à violência infantil.

Talvez por já entender isso, um crescente número de mulheres brasileiras chama a atenção das estatísticas por abandonar o emprego e uma carreira promissora para se dedicar aos filhos. Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que, na última década, cresceu em 26% o número de mulheres que abriram mão de seus empregos, devido à maternidade. A mesma pesquisa mostra que a maioria das mulheres com filhos está hoje trabalhando (60% do total) e que 70% destas se consideram “muito sobrecarregadas” com o acúmulo dos papéis e culpadas por se sentirem ausentes da rotina dos filhos temendo, assim, prejudicá-los em seu desenvolvimento. Os dados foram divulgados na edição 2173 da revista Veja.

MAIS DO QUE A PRESENÇA…

No entanto, sair do emprego e estar em casa não é o suficiente. Não basta estar apenas de corpo presente. É o tempo de investimento, dedicação e de atitudes intencionais que serão vitais para o bom desenvolvimento da criança. Os filhos precisam, mais do que ouvir, ver nos pais a atitude certa e motivadora para seguir o caminho certo, como ocorreu com Timóteo. A educação baseada nos princípios bíblicos que a mãe e a avó proporcionaram ao jovem discípulo foi tão notável que chamou a atenção do apóstolo Paulo, fazendo-o confirmar a fé que habitava no rapaz (II Tm 1:5).

Em contrapartida, a omissão do sacerdote Eli, com relação à educação e disciplina de seus dois filhos, Hofni e Finéias, custaram-lhe um alto preço. Ele e seus dois filhos morreram, segundo a sentença do Senhor, e a arca da aliança, que ficava sob seus cuidados, foi levada de Israel (I Sm 3, 4). É o próprio Deus que orienta os pais a cuidar e disciplinar seus filhos (Hb 12:5-11). E a educação desde cedo faz a diferença.

O missionário da Jocum (Jovens com uma Missão) Markus Zwahlen é, como se diz, “nascido em berço evangélico”. Seus pais, missionários há mais de 30 anos, criaram Markus e seus dois irmãos ensinando-lhes os princípios do Reino de Deus.

“Acho que a educação se reflete muito no estilo de vida. Vejo muita diferença, por exemplo, entre eu e minha esposa. Ela teve uma educação diferente da minha. Muitos princípios ela só foi aprender depois de grande e por isso ela sempre questionou tudo. Eu já cresci com os princípios bíblicos, recebi como algo natural, como o certo, como a verdade e o único caminho. A criança que cresce com os princípios dentro de casa, quando adulta irá mantê-los. Mas para os outros, ensinar depois é bem difícil. Vai precisar de muito argumento”, disse Markus.

Ele conta que muito do que aprendeu foi por observar o exemplo do pai. “Eu tive a oportunidade de ter um pai que me ensinava o que ele fazia. Ele falava pouco, mas nós aprendíamos ao vê-lo fazer, observando seu testemunho. Hoje, muitas crianças ficam frustradas em fazer o que é certo, porque não vêem seus pais fazendo o mesmo. O pai sabe o que é melhor e cobra isso dos seus filhos, mas tem dificuldade de dar um bom exemplo”, disse o missionário.

Markus é diretor do ministério King’s Kids no Espírito Santo, que tem como objetivo levar a nova geração (crianças e adolescentes) aos pés de Jesus. Dentro das atividades desenvolvidas, estão acampamentos, oficinas, treinamentos e escolas. “Vejo que a solução de muitos problemas está em obedecer àquele simples e já conhecido versículo: ‘Ensina a criança no caminho em que ela deve andar…'(Pv 22:6). Os pais precisam estar dispostos a mudar, a abrir mão do comodismo, da incredulidade. Aí, sim, as coisas vão acontecer”, disse Markus.

A falta do bom exemplo dentro de casa também é apontada pela pastora Cláudia como uma das causas de uma educação ineficaz. “As crianças não usam máscaras como os adultos, elas são o que são. Por isso, uma criança que não vive o Cristianismo dia a dia não tem como fingir no final de semana na igreja. Ela vai ser aquela criança que não tem vontade de orar, de ler a Bíblia, não vai obedecer, vai enfrentar as professoras, pois só tem contato com aquilo uma vez por semana, na igreja. Vida com Jesus é dia a dia e pais tementes e obedientes a Deus, à Sua Palavra, discipulam seus filhos em seus lares e não terceirizam a tarefa para o ministério infantil”, desabafou a pastora.

UMA FAMÍLIA, UM EXEMPLO!

Bem sucedido na vida pública, o deputado estaudal Esmael Almeida construiu seus pilares primeiro dentro de casa. A formação que recebeu de seus pais desde pequeno, na cidade de Vila Velha, contribuiu para que ele formasse uma família de sucesso. Casado há 30 anos, pai de três filhos e avô seis vezes, Esmael não hesitou em abrir mão de sonhos pessoais e investir tempo, dedicação e dinheiro em sua família.

“Esforcei-me para que eles tivessem uma base sólida para enfrentar os desafios da vida profissional. E também foi dentro da família que eles tiveram a formação para serem bons cidadãos, com princípios éticos e morais. Acredito que o mais importante foi a orientação espiritual que tiveram desde pequenos, no lar e na Igreja, aprendendo os valores cristãos contidos na Palavra de Deus”, disse Esmael.

Deputado estadual Esmael Almeida

Como servidor público, militante dos direitos do povo, Esmael vê na família a solução para muitas mazelas que ocorrem na sociedade. Por isso, luta por sua proteção e valorização. “Deus idealizou a família para ser base da nossa felicidade, como ensina o Salmo 128, o qual cita o temor a Deus e a consequente felicidade no lar. Atualmente, vejo que a modernidade vem querendo destruir os valores e princípios da família e do casamento. Existem, por exemplo, projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional que afrontam os valores do Cristianismo para a família. Entendo que, se as famílias estivessem de acordo com o coração de Deus, não teríamos tamanha criminalidade e violência, como existe no Brasil e no mundo. Por isso é que devemos lutar por políticas públicas de proteção e valorização da família, pois, como já disse, ela é base de tudo. Não é invenção do homem, mas criação de Deus”, afirmou o deputado.

Investir tempo de qualidade, buscar a direção de Deus, ser bons exemplos para os filhos é, sobretudo, a função dos pais. “É preciso aprender, principalmente com Deus na sua Palavra, a sermos pais segundo o Seu coração, que conhecem e aplicam os princípios da Palavra de Deus. É preciso estudo, treino, aplicação. Poucos pais vão às palestras e estudos que a igreja proporciona. Não nascemos sabendo, temos que buscar, e temos o manual, que é a Palavra de Deus”, enfatizou a pastora Cláudia.

E quem mais ganha com a observação desses princípios é a família, principalmente os pequeninos. “Acho muito legal quando os meus pais contam pra mim as histórias dos heróis da fé. Eu agradeço a Deus porque Ele orientou meus pais a me ensinarem no caminho certo”, disse a estudante Beatriz Marçal, 10 anos.

A irmã dela, Rafaela Marçal, de seis anos, também tem a mesma opinião. “A Bíblia fala sobre obediência, amor e compaixão. Minha mãe me ensina muitos versículos e eu gosto muito”, contou Rafaela. As duas irmãs são filhas de um diácono da Igreja Nova Vida, em Goiabeiras, Vitória.

No livro de Malaquias, a Bíblia registra a profecia de que os corações dos pais se converterão ao dos filhos e o coração dos filhos se converterá aos pais (Ml 4:6). “Às vezes as pessoas acham que essa profecia vai acontecer de repente. Que assim como muda o tempo e começa a chover, a profecia vai acontecer, de uma hora para outra. Mas para que isso aconteça é preciso muito trabalho. Trabalho e dedicação”, concluiu Markus.

No entanto, ainda que o trabalho seja grande e a dedicação, exaustiva, investir na educação dos filhos nunca é em vão. Estes são segredos para a formação de um cristão genuíno e de um cidadão comprometido com sua sociedade e com sua missão de vida. Missão esta que vai além de sua própria vida, que gera frutos eternos para seus descendentes e para toda a sociedade.

Fonte: Revista Comunhão

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Ensino religioso nas escolas públicas

 
Pr. Washington Vianna defende o uso de temas atuais na sala de aula. Foto: Reprodução

Em um país predominantemente cristão e em um Estado onde mais de um terço da população professa a fé evangélica, o ensino religioso nas escolas públicas e confessionais é ainda tema de debates em relação ao conteúdo transmitido aos alunos.

Entre as aulas de Matemática, Português, História, Geografia e tantas outras, uma disciplina tem rendido boas discussões dentro e fora das salas de aula do Espírito Santo e do Brasil: o Ensino Religioso. Com diferenças reais na forma como é ministrada nas escolas laicas e confessionais, a matéria levou diretores, professores, pastores e pesquisadores a refletir e estudar o assunto.

No Espírito Santo, as igrejas Batista e Adventista mantêm escolas e também as aulas de religião, que não incluem encontros extra-sala com momentos de oração, louvor e acompanhamento espiritual, este dado e coordenado reservadamente por um capelão.

Por determinação da Constituição Federal, escolas públicas e particulares têm de oferecer a disciplina para os estudantes de Ensino Fundamental, mas nas escolas públicas, como também acontece nas confessionais, os alunos podem optar por assistir ou não às aulas. É vedada a prática do proselitismo, que é o ato de atrair pessoas para determinada crença através do ensino religioso.

CONFESSIONAIS

Fundado há 102 anos por um casal de missionários, Loren Reno e Alice Reno, o Colégio Americano Batista tem em sua origem o ensino religioso de base cristã evangélica, já que os missionários começaram a ensinar a partir da Bíblia. Hoje, a disciplina é ministrada para todas as séries, mas com um enfoque ampliado, e os professores têm formação teológica ou em cursos na área de ensino religioso.

De acordo com o pastor Washington Vianna, capelão do Colégio Americano, uma forma de tornar as aulas atraentes é trazer temas atuais, próximos do dia-a-dia do aluno. “Falamos sobre gratidão, sinceridade, disciplina, responsabilidade, ética, generosidade, criatividade, mas tudo dentro do contexto religioso. Já falamos também sobre sexualidade, drogas, violência, internet, festa rave. Muitas vezes fui para a sala de aula com um jornal nas mãos. Não usamos a Bíblia nas aulas, mas podemos usar”, explicou o pastor.

Mesmo não sendo obrigatória, o diretor acadêmico do Americano Batista, Rogério Scheidegger, garante que a freqüência às aulas é maciça entre seus três mil alunos. “Existe um programa específico para cada série. Os pais têm procurado escolas que tenham conteúdo religioso e acredito que seja por causa do contexto atual, de tantos problemas no mundo. No passado, os pais tinham preconceito em relação ao ensino religioso, mas hoje eles querem essa disciplina para os filhos”, contou Scheidegger.

Disputada também no Americano Batista é uma atividade extra-sala intitulada GOL, Grupo de Oração e Louvor. “São encontros muito animados. Também fazemos musicais com os alunos e oferecemos atendimento espiritual”, disse o pastor Washington.

Já nas escolas adventistas, neste ano começa a atuar um capelão, na unidade de Vitória, e as aulas são dadas com base em um livro específico, com temas diferenciados para cada grupo de séries. Da Educação Infantil à 5ª série, por exemplo, o material tem um conteúdo que, embora mais lúdico, focando histórias bíblicas, transmite conceitos morais.

“Mas não existe um programa ‘engessado’. Trabalhamos temas atuais sob o cunho religioso, tudo dentro de um contexto agradável, interativo”, destacou o pastor José Humberto Cardoso, diretor de Educação das Escolas Adventistas do Estado, que hoje tem quatros escolas da denominação, atendendo a 1.250 alunos.

A diretora do Colégio Adventista de Vitória, Neusa Arlete Gonçalves, ressalta que às vezes os pais chegam à escola pedindo que o professor de religião fale sobre um determinado assunto. “Isso é muito interessante, porque mostra que eles também estão acompanhando as aulas. Nós falamos sobre homossexualidade revolucionismo, temas atuais e que geram debates”, contou.

No Brasil, uma escola confessional que tem peso é a da Igreja Presbiteriana. São ao todo 200 colégios no país, incluindo a faculdade Mackenzie. No Espírito Santo, não há nenhuma escola da denominação. Segundo o presidente da Associação Nacional de Escolas Presbiterianas, reverendo Dídimo de Freitas, nas aulas são explanados inclusive o budismo, o ateísmo e outras crenças, mas sempre mostrando ao final o ponto de vista da denominação.

Já o presidente e diretor-executivo interino da Associação dos Educadores Cristãos Batistas do Brasil (AECBB), pastor Daniel Silva de Sousa, destaca que o ensino religioso é valorizado principalmente pelos pais evangélicos.

“Os não-evangélicos questionam muito, e algumas vezes preferem que não seja ministrado. O problema é quando existe um bloqueio para lecionar. No Rio de Janeiro, por exemplo, após a posse do governador Sérgio Cabral, as escolas estaduais deixaram de oferecer Ensino Religioso”, disse.

LEI GERA DISCUSSÃO

O pastor Eduardo Gomes, da Assembléia de Deus em Manoel Plaza, Serra, é também professor de História e acredita que a forma como foi instituída a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que tornou o Ensino Religioso obrigatório nas escolas públicas, prejudica o avanço do Evangelho.

“Por essa lei, os orixás e Jesus Cristo ficam no mesmo patamar. A disciplina tem sido um instrumento do Estado laico contra a evangelização, porque quando você aponta todos os caminhos como sendo bons, dificulta o Evangelho da Salvação, que é a Verdade. Para mim, a plataforma do Ministério da Educação (MEC) tem como objetivo esfriar todas as religiões”, defendeu o pastor.

Para o pastor Wéslley Mageski, da Igreja Batista em Itarana, que é pós-graduado em Educação Religiosa, Ciências da Religião, Ensino Religioso e Gestão Educacional, no contexto atual da legislação é impossível falar sobre a salvação por Jesus Cristo nas salas de aula.

“O aspecto teológico da ‘salvação’ é confessional, torna-se dogma institucional de cada segmento religioso. No Ensino Religioso, falar de salvação é antiético e fere o princípio do respeito à diversidade cultural e religiosa”, disse o pastor, que dá aulas para futuros professores da disciplina.

Ele acredita que a implantação do Ensino Religioso como matéria escolar trouxe vários conflitos dentro e fora da sala de aula. “Talvez pela incoerência da sua aplicabilidade. Não se deve pregar religião, ensinar doutrinas, liturgia, sacramentos, porém a própria lei é confusa na sua aplicabilidade, que poderá ser de forma confessional, interconfessional ou ecumênica. Uma orientação aos pais, é que conheçam o plano político-pedagógico e o plano de curso da disciplina na escola. Assim, poderão questionar, esclarecer e sugerir mudanças”, destacou

RELIGIÃO EM ESCOLAS PÚBLICAS

O Ensino Religioso consta na grade curricular do Ensino Fundamental das escolas públicas estaduais desde 2007, quando foi regularizado nas unidades da rede por decreto do governador Paulo Hartung. A decisão gerou polêmica, já que muitos questionam como falar sobre religião em um País marcado pela pluralidade cultural, ética e religiosa. Atualmente, 90 das 539 escolas estaduais com Ensino Fundamental já oferecem a disciplina, atendendo a 33 mil alunos.

O governo garante que a matéria tem cunho ecumênico, passando aos estudantes noções sobre o que dizem todas as religiões, sem emitir opinião. O papel de fiscalizar esse conteúdo, e também ajudar na elaboração dos programas, é do Conselho de Ensino Religioso do Espírito Santo (Coneres), criado na mesma época e formado por representantes de várias religiões.

A secretária do Coneres, Rita Léa Siqueira, membro da Primeira Igreja Batista em Ataíde, Vila Velha, não acredita que matéria atrapalhe o Evangelho. “A sala de aula não é local para doutrinar ninguém. Não há defesa dessa ou daquela religião. Em uma aula sobre o Catolicismo, por exemplo, pode-se falar sobre as rezas, romarias, mas sem defender essas práticas. O mesmo se aplica às religiões protestantes. O professor é um facilitador, não um evangelista. Nós temos que defender, sim, é o caráter cristão”, defende.
Ela ressaltou que o ensino religioso tem trazido bons resultados. “As escolas que já ministram a matéria há mais de dois anos são, sobretudo, as da periferia, e elas têm notado melhoras na disciplina e no relacionamento entre os alunos”, afirmou.

A gerente de Educação Infantil e Ensino Fundamental da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), Janine Mattar Pereira, explica que no currículo consta que a matéria deve mostrar como o aluno deve se relacionar com ele mesmo, com o mundo e com a religião.
“Mostramos a diversidade religiosa, até mesmo levando representantes de várias religões para falar sobre suas crenças. Eu posso levar a Bíblia para a sala de aula, assim como o Alcorão, mas eles serão usados apenas como material de pesquisa”, disse Janine.

As escolas da rede municipal de Vila Velha já oferecem a disciplina. Em Cariacica, pelo menos 22 escolas municipais também já integraram o Ensino Religioso ao currículo regular. Mesmo sendo uma matéria não-obrigatória, a técnica da Secretaria de Educação de Cariacica, Emiliana Amorim, destaca que a presença dos alunos é maciça.

Por outro lado, apesar da obrigatoriedade legal, em Vitória o Ensino Religioso ainda não está disponível na grade curricular dos alunos, mas a previsão da Secretaria de Educação da capital é de que isso aconteça no próximo ano.

De acordo com Graça Cota, assessora pedagógica da secretaria, é preciso começar pela formação do professor. Muitos dos que já atuam na rede municipal se mostraram interessados, mas precisam fazer um curso específico de pós-graduação, cujas aulas devem começar em março próximo. Assim, em 2010 já vai haver profissionais gabaritados para lecionar a matéria.

“Muitos dos professores interessados não são evangélicos. É preciso falar sobre a diversidade religiosa, o fenômeno religião. Vamos abordar, por exemplo, a questão da vida após a morte, mas procurando entender como esse assunto é tratado em cada crença”, explicou Graça Cota.

A despeito de opiniões tão diferentes quanto à disciplina, o Ensino Religioso ganhou seu espaço nas escolas, laicas ou confessionais, que já adotavam a matéria. A discussão do que deve ou não ser transmitido em sala de aula serviu para democratizar o conteúdo, respeitando as religiões.

No entanto, há também nos colégios espaço para mostrar Jesus Cristo, como orienta a Bíblia em Provérbios 22: 6 (Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele), e, principalmente, pregar o amor, que, segundo o Evangelho é o maior de todos os frutos do espírito. No amor estão os ensinamentos mais sagrados, que podem transformar vidas.

Matéria é uma republicação da revista Comunhão em Fevereiro de 2009.


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O CASAMENTO AINDA TEM CHANCE?

O casamento ainda tem chance?
Casamento ameaçado. (Foto: Getty)

Um olhar frio, uma palavra áspera, uma respirada nervosa, um grito violento, uma ofensa dura, uma impaciência eliminadora de diálogos, um silêncio gélido que só se encontra no polo norte.

Por Edmilson Ferreira Mendes

O Pequeno Príncipe tem uma frase perfeita para começarmos a falar sobre chance e casamento: “É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo”. Casamento produz chances, inúmeras, de todos os tipos, em todos os tempos. Porém, muitos não aguentam as pressões e jogam fora as chances que a vida conjugal dá por causa de uma tentativa fracassada. E, quando se trata de fracasso, cabe a pergunta: Quem nunca fracassou? Desconheço tal pessoa, e eu, se tivesse um segundo nome, bem poderia ser sr. Fracasso, por conta de todos os fracassos que já experimentei…

Chances, todos gostamos e precisamos. Carecemos ser alvos de tolerância, perdão, recomeço. E carecemos porque erramos. E o lugar onde mais se manifesta nossos erros é no nosso ninho, seja solteiro, seja casado. Se não tiver nenhuma visita é no lar que somos nós mesmos, é no lar que transitamos sem maquiagens, sem penteados, sem roupas bem passadas e combinadas, é no lar que colocamos o pé na mesa, é no lar que não nos incomodamos com as olheiras na hora que acordamos. No lar, enfim, não somos nutella, somos raiz.

E porque somos raiz nos expressamos em estado bruto. É aí que machucamos as pessoas que mais amamos. Um olhar frio, uma palavra áspera, uma respirada nervosa, um grito violento, uma ofensa dura, uma impaciência eliminadora de diálogos, um silêncio gélido que só se encontra no polo norte. Tudo isso são rotinas que se repetem e cansam, e machucam, e maltratam, e, as vezes, matam o prazer, o relacionamento, a esperança. Tudo isso acontece no contexto no qual habitam pessoas que se amam e não percebem que se agridem. Se percebem, na maioria das vezes desaprenderam o caminho do conserto.

E por que tais pessoas estão juntas? Por que insistem? Chances! Poucos lugares no mundo dão tantas chances. O lar é um destes lugares onde somos confrontados e confrontamos, somos humilhados e humilhamos, somos testados e testamos, amaduremos e ajudamos a amadurecer, somos perdoados e perdoamos, somos amados e amamos. Isso são chances! Muitas, inúmeras, todos os dias. Mas, muitos, como dito pelo Pequeno Príncipe, jogam fora por causa de uma tentativa fracassada.

A princípio pode parecer que vivemos um caos. Mas não. O casamento tem muitas chances. E isso é comprovado estatisticamente. No início de 2018, ouvindo a CBN Campinas no carro, uma notícia me alegrou e me indignou ao mesmo tempo, a repórter disse mais ou menos assim: “O número de casamentos formais no Brasil cresceu mais de 30% em 2017, as pessoas ainda continuam acreditando na instituição do casamento”.

Minha alegria é bastante óbvia, o número cresceu. Minha indignação fica por conta do desrespeito com a opção da maioria, “as pessoas AINDA continuam acreditando…”. O número cresceu e continuará crescendo pelo simples fato que a agenda cultural e filosófica que tenta nos fazer engolir o que ela entende como verdade, moderno e correto, simplesmente não consegue emplacar uma alternativa ao projeto de Deus, projeto equilibrado, perfeito e sagrado chamado família.

Não desista. Insista. Persista. No pacote do casamento existem desafios, dores, sofrimentos, mas também felicidades, realizações, prazeres e… chances. Nossa família é nosso refúgio, é nosso “pedaço de céu” onde temos a chance de, através de nossos atos e gestos, glorificarmos o nome de Cristo.

Aquele que é considerado o maior compositor de jazz americano de todos os tempos, o já falecido Duke Ellington, artista com uma brilhante e premiada carreira, deixou um conselho para todos que têm fé nAquele que criou o casamento e acreditam no poder contido por trás de cada nova chance, um conselho que vale para mim, que vale para você: “Um problema é uma chance para você fazer o seu melhor”.

Fonte: Guiame / Extraído:; Seara News

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A CIÊNCIA E JESUS

A ciência e Jesus

Em tempos de tolerância irrestrita e ilimitada, nos quais os evangélicos são considerados os seres mais “fóbicos” do planeta, quiçá do universo, vez por outra, como num rompante de misericórdia, vêm os representantes da ciência para defender Jesus e até a Bíblia.

Mas o que me chama atenção é como eles fazem essa “defesa”. Um artigo que muito me interessou, publicado na internet recentemente, mostrava “oito dúvidas sobre Jesus Cristo já respondidas pela ciência”. Fantástico!!! Agora Cristo deve estar dormindo mais tranquilo, sabendo que a ciência, depois de 2 mil anos, conseguiu elucidar 12 questões sobre Ele.

Entretanto o artigo começa da seguinte forma: “O personagem histórico difere muito daquele retratado pela Bíblia, a começar pelo fato de que o Natal pode não ser a verdadeira data do nascimento de Cristo”. Ora, de que Jesus a ciência está falando? Para meu desespero, não era o Jesus da Bíblia, e sim um Jesus qualquer que viveu em um lugar onde ninguém sabe, numa época que ninguém registrou nada, nem a data de seu nascimento… Ou seja, a ciência mais uma vez respondeu o que ninguém perguntou.

Não sei se fico frustrado ou alegre; se meto o pau na ciência ou se a acalento com um “beijinho no ombro”; se levo isso a sério ou se é mais uma piada sem graça só para enganar os crentifóbicos de plantão. Acho que vamos ter que aguardar mais 2 mil anos para que a ciência diga se realmente está interessada ou não em levar Cristo a sério e descubra quem Ele verdadeiramente foi e por que Ele existiu.

Fonte: Comunhão

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AUGUSTUS NICODEMUS FALA SOBRE SEU MINISTÉRIO E TEMAS COMO TEOLOGIA REFORMADA E HOMOSSEXUALISMO

Augustus Nicodemus

Natural da João Pessoa (PB), Augustus Nicodemus Gomes Lopes é vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriano no Brasil, ministro, teólogo calvinista, professor e escritor.

Desde 2003, ele atua como representante do Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo, exercendo a função de chanceler. Já passou por diversas congregações, sendo hoje pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia (GO). Uma das referências brasileiras na literatura cristã, este paraibano de 63 anos já tem mais de 30 livros lançados. Nesta entrevista, Nicodemus fala do seu ministério e aborda, ainda, temas, como teologia reformada, homossexualismo e papel da Igreja cristã contemporânea. Confira.

O senhor acaba de lançar o livro “Descomplicando o Cristianismo”. De que forma a obra foi elaborada? O que os leitores podem esperar dessa publicação?
Essa obra foi elaborada a partir de vários programas de rádio nos quais o pastor traz perguntas dos nossos ouvintes e eu respondo. São dúvidas doutrinárias, como as relacionadas a comportamento, questões de cultura, vida e interpretação da Bíblia. Gravamos quase 300 programas respondendo a essas indagações, e o título do quadro é: “Em Poucas Palavras”. A Editora Mundo Cristão tomou conhecimento desse programa quando um dos nossos ouvintes que resolveu fazer a transcrição nos apresentou um manuscrito pronto. E por isso foi elaborado um livro com perguntas e respostas. Os editores resolveram dar o título à obra, “Descomplicando o Cristianismo”. Nossa expectativa é que os leitores sejam abençoados como os ouvintes foram, um público brasileiro que não tem muito acesso às mídias sociais, mas que gosta de ler.


CONFIRA A ENTREVISTA COM NICODEMUS


O senhor é autor de mais de mais de 30 livros com vários temas, alguns até polêmicos, tais como homossexualismo, dons espirituais, unção. Como se dão a escolha de cada um deles, a inspiração divina, a atenção aos fatos do dia a dia?
Cada livro nasce por motivo diferente. Meu primeiro livro foi sobre batalha espiritual, que trouxe uma repercussão grande. Isso foi em 1996, quando tinha regressado dos EUA, onde tinha feito meu doutorado em Teologia. Quando cheguei ao Brasil, o movimento de batalha espiritual estava no auge. Havia muita literatura falando sobre isso. Mas eu entendi que tinha que mostrar o outro lado. Então eu escrevi “O que Você Precisa Saber sobre Batalha Espiritual”; foi um sucesso imediato. As pessoas precisavam de alguma orientação nessa área. Então esse livro nasceu da necessidade. O seguinte, que falou sobre o “verdadeiro culto espiritual”, abordava o uso do véu e a ceia do Senhor. Ele também nasceu de uma necessidade e fez sucesso. Um dos meus lançamentos mais recentes, “Apóstolos”, foi publicado pela Editora Fiel e é resultado dos meus estudos de pós-doutorado. Escolhi esse tema porque descobri que no Brasil há mais de 10 mil apóstolos, e não existe nenhuma publicação que trate dessa questão. Muitos livros nascem da observação de uma lacuna que precisa ser preenchida de ensinamento bíblico a respeito de um determinado assunto. Outros livros são frutos de séries de pregações nas igrejas onde eu tenho servido. Outros são resultados de palestras e estudos sobre temas específicos, como a questão da homossexualidade, ideologia de gênero, educação e relação da fé com a ciência, além de uma série de outras questões que fazem parte do mundo evangélico.

Augustus NicodemusQual a obra publicada pelo senhor que rendeu a maior repercussão entre os cristãos? E por qual delas o senhor se sentiu mais tocado?
De todas, a que teve maior repercussão e que continua vendendo muito é a primeira, “O que Você Precisa Saber sobre Batalha Espiritual”. Está na sétima edição e continua sendo lida e estudada pelos cristãos. Mas o livro que mais mexeu comigo e que mais gostei de fazer foi “Apóstolos”, pois trata da questão da hermenêutica, da interpretação bíblica, da Igreja contemporânea, da questão histórica de como a Igreja compreendeu esse título e por que os pastores acham que são apóstolos.

Os evangélicos, tanto do Brasil quanto em outros países, consideram o senhor um dos grandes pregadores da Palavra de Deus e também referência da literatura cristã no país. Diante de todo esse destaque, manter a humildade por ser um servo de Deus é um exercício diário? E isso aumenta a responsabilidade do “Ide, levai o Evangelho a todos os povos”?
É uma luta diária lembrar aquilo que o apóstolo Paulo disse em Coríntios: o que é que você tem que não tenha recebido? Creio que Deus me deu muitos privilégios durante a minha vida. Estudei em boas escolas, fiz curso de Teologia no exterior com bons mestres, tive tutores no Brasil que me orientaram, oportunidades de serviços em instituições no país que moldaram a minha maneira de pensar… Também fui diretor de Teologia. Sou uma pessoa absolutamente ordinária, comum e obscura que teve oportunidades. Se alguma coisa sou, é só porque recebi mesmo pela graça de Deus. Prefiro fazer o que tenho que fazer, deixar nas mãos de Deus e me lembrar todos os dias da graça de Deus.

O que o motiva atualmente em seu trabalho? As conquistas ou os novos desafios?
Gosto muito do que faço. Quando Cristo me chamou para ser um pregador, eu tinha feito o curso de Engenharia Elétrica e estava fazendo Desenho Industrial, mas nada daquilo me deixava feliz. Descobri o Evangelho, e o chamado pastoral mudou minha vida completamente. O que me motiva na verdade é cumprir esse chamado que Deus me deu para ser um pregador. Eu me vejo basicamente como um pregador do Evangelho, embora tenha publicado muitos livros. É isso que mais gosto de fazer, me renova e me dá alegria. A pregação representa um desafio. Sou pastor de uma igreja local e prego três vezes no mesmo dia; por isso tenho que estar pronto. Isso me leva a estudar a Bíblia, a consultar comentários. Mas isso me dá alegria. Sempre há um novo desafio que abençoe a igreja. Temos sempre que superar.

O senhor foi chamado para um ministério designado por Deus, e já são 35 anos desenvolvendo isso. Qual o melhor conselho que já recebeu nessa jornada?
O melhor conselho que já recebi foi do meu sogro, um pastor holandês. Uma vez ele me chamou no seu gabinete; eu estava no segundo ano do seminário de Teologia. Conversando comigo, detectou a arrogância de um jovem que se excedia em alguns pontos. Pediu-me pra ler um quadro no rodapé da parede. Então me ajoelhei para ler. A escrita tratava de um versículo baseado em Gálatas 2:20: “Não eu, mas Cristo”. Foi quando ele colocou a mão sobre a minha cabeça e orou por mim dizendo: “Deus tenha misericórdia deste jovem tão cheio de talentos, mas que precisa se humilhar diante do Senhor”. Aquilo foi uma revolução na minha vida. Foi um conselho prático: “Não eu, mas Cristo vive em mim”.

Hoje observamos um notável crescimento da teologia reformada nas igrejas e principalmente entre os jovens. Qual seria a perspectiva para a Igreja brasileira?
É verdade. Há um crescimento, sim, da teologia reformada nas igrejas. Mas teremos de esperar para ver isso ainda. Mas creio que, de um jeito ou de outro, já está fazendo uma diferença grande. Algumas denominações tradicionais e pentecostais já estão sentindo a força do pensamento reformado em suas igrejas. Isso tem provocado uma reação contrária, porque o movimento pentecostal é arminiano, e isso dá reação negativa. Mas outros pastores e líderes de igrejas de origem pentecostal têm aberto as portas para olhar essas doutrinas bíblicas. Então creio que vai afetar também as igrejas reformadas tradicionais que estão recebendo jovens querendo servir e fazer a diferença. Eu não sei qual será o resultado, mas que isso vai afetar tanto o movimento pentecostal e neopentecostal como as igrejas reformadas, não tenho dúvida.

É possível uma igreja ser reformada e contextualizada ao mesmo tempo nos dias de hoje?
Um dos pontos da Reforma é que a Igreja reformada sempre está se reformando à luz da Palavra de Deus. Isso é um dos lemas da segunda geração de reformadores na Igreja. Ou seja, eles já reconheceram que isso tem que acontecer para poder ser relevante ao mundo onde ela se encontra. Então, a visão reformada de Igreja e a contextualização andam de braços dados. É errado pensar que o reformado é uma pessoa que quer preservar um modelo histórico que funcionou nos séculos 16 e 17 nos dias do século 21. As igrejas precisam se adaptar ao mundo em que estamos inseridos.

Diante do “teísmo aberto”, qual seria a resposta teológica mais adequada quando as pessoas nos perguntam sobre as grandes tragédias?
O teísmo aberto diz que o futuro está em aberto porque Deus não somente determinou o futuro como também não conhece o futuro. A história vai sendo construída por Deus e pelos homens. O futuro sempre está aberto, portanto, não tem como se falar que Deus conhece esse futuro. O problema do “teísmo aberto” é que ele reduz o Deus da Escritura ao Deus limitado. A solução não é dizer que Deus não sabia que as catástrofes iriam acontecer. A resposta é que elas fazem parte do mundo caído, marcado pelo pecado. E algumas delas antecipam o dia do juízo final. Elas são usadas por Deus para, por um lado, punir o ímpio e castigar o inimigo, e por outro, discipular os Seus filhos, fazê-los crescer, discipliná-los, testar sua resiliência. Então essa é a solução bíblica para o dilema. Está errado tentar “livrar a cara de Deus” dizendo que Ele não fez nada, como alguns teólogos fizeram no Brasil. Mas graças a Deus esse movimento hoje não tem mais repercussão entre os teólogos sérios no Brasil.

Augustus NicodemusO cristianismo precisa de uma Reforma?
O lema da Reforma é que a Igreja de Cristo esteja sempre se reformando, porque a tendência da Igreja de Cristo é a “Deforma”. Se você não fizer nada ou se nada acontecer, a tendência é a Igreja ir para baixo. Por isso, é preciso que Deus esteja interferindo, que reformas estejam acontecendo para que a Igreja seja atual e viva, fazendo a diferença no mundo. O cristianismo sempre está precisando olhar pra si mesmo e voltar à Palavra de Deus, ao ponto onde ele se desviou.

Qual deve ser a postura de um líder religioso diante de políticos que se elegem da maneira cristã, mas que quando chegam ao poder não agem como servos. E por que a maioria das lideranças se une para eleger, mas não para tirar os falsos do poder?
Isso decorre de uma visão errada da relação entre Igreja e política, no meu entender. Com relação à política, a Igreja primeiramente tem uma tarefa didática, que é ensinar os seus membros a ser bons cidadãos. Isso está em Romanos 3, que diz que temos que respeitar as autoridades constituídas. A Igreja tem que ensinar seus membros a cumprir as leis, a pagar os impostos. Ao mesmo tempo, tem que ensinar os membros envolvidos na política a ser honestos, a não praticar a corrupção e a procurar o bem do povo. Lembrar que político evangélico não é despachante de igreja. Ele foi eleito para fazer o bem da nação, e não fazer leis específicas para a Igreja evangélica.

“Homossexualismo” e “ideologia de gênero” são assuntos que têm gerado muita controvérsia dentro das próprias denominações. Se, por um lado, é claro na Bíblia que tais práticas são pecaminosas, por outro, Deus ordenou que amássemos uns aos outros como a nós mesmos. Portanto, abominar o pecado, mas amar o pecador. Na prática, está faltando esse atendimento à membresia?
Sim. Sem dúvida a prática de homossexualismo é condenada na Bíblia. Ela aparece em três listas de pecado (Romanos 1, I Coríntios 3 e I Timóteo 1). Nisto não pode haver dúvidas: essa prática é pecado porque infringe a lei natural e a maneira como Deus criou a raça humana. Mas, por outro lado, o homossexualismo não é visto na Bíblia como um pecador pior do que outro. O Novo Testamento não via o homossexualismo como pouco perdoado. E, sim, é pecado, assim como é o adultério. Por isso, não se admite homofobia. O cristão não deveria ser homofóbico. Temos que manter não só uma atitude de firmeza, de reconhecer o que a Bíblia diz, mas também de acolhimento no sentido de dizer: “Não vou tratá-lo de maneira diferente porque você é homossexual”. Temos que tratar como tratamos qualquer outra pessoa. Há pessoas que lutam contra esse desejo, de ter atração por pessoas do mesmo sexo, e querem ajuda pra isso. Outras não conseguem. E a Igreja deveria ser sensível e ajudar, mas sem esse ódio. Mais amor.

Que mensagem o Senhor deixa aos evangélicos?
Deus tem feito muitas coisas na Igreja brasileira nos nossos dias. É com alegria que a gente vê o crescimento do interesse pela pregação expositiva, pelo conhecimento bíblico, pelas grandes doutrinas que marcaram o nascimento da Igreja cristã. Tudo isso é obra de Deus. Não sei se posso falar em avivamento. Talvez seja cedo pra falar sobre isso. Mas com certeza há sinais que Deus tem sido gracioso como o Brasil e com o sul global, em continentes como a África, a Ásia e a América Latina. Deus tem nos abençoado grandemente. Não podemos perder este momento. A Igreja precisa ver o que Deus está fazendo, humilhar-se, procurar a presença do Senhor e se colocar numa posição de serviço a essa humanidade caída que necessita do perdão de Deus e do Evangelho.

Fonte: Comunhão

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