SUBSÍDIOS – Aula 02 – ESPERANÇA EM MEIO À ADVERSIDADE

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3º Trimestre – Texto Básico: Filipenses 1:12-25


14/07/2013  – “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1:21)


 INTRODUÇÃO


É possível ter esperança em meio à adversidade? Aquele que tem fé em Cristo, sim; sejam quais forem as circunstâncias! A esperança de Paulo na adversidade está latente quando ele comunica aos seus irmãos: “As coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Fp 1:12). Aqui, quem fala não é uma pessoa que se acampa em um escritório opulento e distante do sofrimento alheio, mas um ser humano que redige uma mensagem de esperança em um lugar contrário a qualquer esperança: a prisão. O apóstolo Paulo estava preso em Roma, sob algemas, com esperança de ser absolvido em seu julgamento por meio das orações da igreja (Fp 1:19; Fm 22). Paulo era um homem que nutria a sua alma de esperança (Fp 2:24). Ele se considerava prisioneiro de Cristo, e não de César. Não eram os homens maus que estavam no controle da sua vida, mas a providência divina.


I. ADVERSIDADE: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO


1. Paulo na prisão. Quando Paulo foi preso em Jerusalém, ao testemunhar ousadamente perante o sinédrio judaico, o próprio Deus apareceu a ele numa visão e lhe disse: “… Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma” (At 23:11). Contudo, sua viagem para Roma foi tumultuada e cheia de percalços.


Paulo chegou a Roma como um prisioneiro depois de enfrentar um terrível naufrágio. Durante dois anos, ficou detido numa prisão domiciliar em Roma (At 28:30), na companhia de um soldado da guarda pretoriana, que o guardava (At 28:16; Fp 1:13). Nessa prisão domiciliar, numa casa alugada por ele mesmo, tinha liberdade para receber as pessoas e instruí-las (At 28:23). Nesse tempo, pregou o reino de Deus com toda a intrepidez, e sem nenhum impedimento ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo (At 28:31).


Paulo jamais se considerou prisioneiro do imperador romano, mas prisioneiro de Cristo. Jamais murmurou atribuindo a Satanás suas algemas. Embora Satanás tenha intentado contra ele, nunca Paulo o considerou como o agente de seus sofrimentos. Quem estava no comando de sua agenda não era o inimigo, mas Deus. Paulo não acreditava em casualidade nem em determinismo. Ele sabia que a mão da Providência o guiava até mesmo na prisão. Ele foi perseguido, odiado, caluniado, açoitado, enclausurado, mas jamais viu os seus adversários como agentes autônomos nessa empreitada. Ele sempre olhou para os acontecimentos na perspectiva da soberania e do propósito de Deus. Considerava-se embaixador em cadeias. Estava preso, mas a Palavra de Deus estava livre.


Paulo considerava o evangelho mais importante que o evangelista; a obra, mais importante que o obreiro. A divulgação do evangelho é mais importante que o mensageiro. Por isso, na prisão Paulo foca sua atenção na proclamação do evangelho, e não em si mesmo. Não importa se o obreiro vive ou morre, desde que o evangelho seja anunciado (Fp 1:20). (1)


2. Uma porta se abre através da adversidade. As cadeias de Paulo abriram portas para o evangelho. Deus é o Senhor da obra e também dos obreiros. Ele abre portas para a pregação e usa os acontecimentos que atingem os obreiros como instrumentos para ampliar os horizontes da evangelização. Porque Paulo estava preso, ele pôde alcançar grupos que jamais alcançaria em liberdade. Os homens podem prender você, mas não o evangelho. Paulo não é um malfeitor social, nem um preso político, mas um embaixador de Cristo em cadeias. Sua prisão é uma tribuna. Suas algemas são megafones de Deus.


A quem Paulo alcançou por causa de sua prisão em Roma?


a) A guarda pretoriana (Fp 1:13). A guarda pretoriana era a guarda de elite situada no palácio do imperador. Era composta de 8 a 10 mil soldados romanos. Dia e noite, durante dois anos, Paulo era preso a um soldado dessa guarda por uma algema. Visto que cada soldado cumpria um turno de seis horas, a prisão de Paulo abriu caminho para a pregação do evangelho no regimento mais seleto do exército romano, a guarda imperial. Paulo, no mínimo, podia pregar para quatro homens todos os dias. Toda a guarda pretoriana sabia a razão pela qual Paulo estava preso, e muitos desses soldados foram alcançados pelo evangelho (Fp 4:22). Assim, as cadeias de Paulo removeram as barreiras e deram a ele a oportunidade de evangelizar os mais altos escalões do exército romano.


b) Todos os demais membros do palácio (Fp 1:13). Além dos soldados, Paulo também evangelizou as demais pessoas que viviam no pretório. Por causa de sua prisão, Paulo esteve em contato com outro grupo de pessoas: os oficiais do tribunal do imperador César. O apóstolo encontrava-se em Roma como prisioneiro do Estado, e seu caso era importante. Além das pessoas que viviam no pretório, Paulo recebia na prisão domiciliar muitas pessoas, e a todas elas ele influenciou e a muitas delas ganhou para Jesus por meio do evangelho (At 28:23-31). Como foi dito acima, Paulo estava preso, mas a Palavra de Deus estava livre.


II. O TESTEMUNHO DE PAULO NA ADVERSIDADE (Fp 1:12,13)


1. O poder do Evangelho. De modo objetivo, Paulo quer que os irmãos saibam que as coisas que lhe aconteceram, a saber, seu julgamento e a sentença de prisão, contribuíram para o progresso do evangelho, em vez de ser um impedimento, como era de esperar. Essa é mais uma ilustração maravilhosa de como Deus sabe desfazer os planos malignos de demônios e homens, obter vitória onde parecia haver apenas tragédia e conquistar uma coroa, em vez de ficar com as cinzas.


Jamais seremos pregadores convincentes do evangelho se nós mesmos não estivermos convicção de que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1:16). Se o evangelho é poder de Deus, é mister que experimentemos deste poder, que sintamos e sejamos instrumentos deste poder, sem o que não poderemos ter esta convicção. Paulo tinha esta convicção e, por isso, podia diferenciar-se dos grandes e eloquentes oradores de seu tempo, pois a sua pregação não era mera retórica, mas demonstração do poder de Deus (1Co 2:4-6).


2. A preocupação dos filipenses com Paulo. “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Fp 1:12). Este versículo indicia que os filipenses estavam preocupados com o bem-estar de Paulo. Eles não entendiam que aquela prisão era para a glória de Deus. Eles conjecturavam que sua prisão tivesse retardado a propagação do evangelho. Paulo, porém, via os acontecimentos como um plano sábio de Deus para o cumprimento de um propósito glorioso, ou seja, o progresso do evangelho. Paulo havia estado na primeira prisão em Roma por dois anos. Paulo pode até ter questionado a razão que o Senhor Deus tinha para um período de aprisionamento tão longo, porque este fato efetivamente o impediu de realizar mais viagens e pregações. Mas Paulo veio a entender, e queria que os filipenses soubessem sem dúvida alguma, que as coisas que aconteceram tinham na verdade, contribuído para o maior progresso do evangelho. Foi durante esta primeira prisão que o Espirito Santo, por instrumentalidade do apóstolo, nos presenteou as Epístolas aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemom. Cartas que tem abençoado e edificado espiritualmente inumeráveis pessoas ao longo da peregrinação da Igreja.


A perseguição jamais obstruiu o evangelho nem impediu o crescimento da Igreja. A Igreja sempre cresceu mais em tempos de perseguição do que em tempos de bonança. Quem semeia com lágrimas, com alegria recolhe os feixes. A igreja primitiva avançou com mais força na era dos mártires do que nos tempos áureos da sua riqueza. Os maiores avivamentos da Igreja aconteceram em tempos de dor e perseguição. O avivamento coreano aconteceu nos anos mais dolorosos de perseguição e martírio. A igreja chinesa cresceu explosivamente nos anos mais dramáticos da perseguição de Mao Tsé-Tung. A prisão de Paulo abriu espaço para a evangelização em Roma.


3. Paulo rejeita a autopiedade. Paulo não se concentrava no seu sofrimento com autopiedade. Ele estava preso, algemado, impedido de viajar, de visitar as igrejas e de abrir novos campos. Porém, ao escrever à igreja de Filipos, não enfatiza os seus sofrimentos, mas o progresso do evangelho. A Palavra é mais importante que o obreiro. O vaso é de barro, mas o conteúdo do vaso é precioso. O que importa não é o bem-estar do obreiro, mas o avanço do evangelho. Paulo sabia “que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8:28).


III. MOTIVAÇÕES PARA A PREGAÇÃO DO EVANGELHO (Fp 1:14-18)


14 – e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor.


15- Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente;


16 – uns por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho;


17 – mas outros, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões.


18 – Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda.


Duas motivações predominavam nas igrejas da Ásia Menor onde o apostolo Paulo atuava. São elas:


1. A motivação positiva. “e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor”.


O fato de Paulo estar em prisão levou a maioria dos crentes de Roma a um despertamento espiritual e a um engajamento no trabalho da pregação. Os crentes ficaram mais entusiasmados. Os obreiros se mexeram. A fé, a confiança e a paciência de Paulo, apesar de sua prisão, ajudaram os cristãos de Roma a ganharem confiança. Eles viram a fé de Paulo e isto fortaleceu a sua própria fé. Eles ousaram falar a Palavra com mais confiança, sem temor. Com mais e mais crentes ganhando ousadia para falar o Evangelho de Jesus Cristo, mais e mais pessoas ouviram a mensagem e tiveram a oportunidade de aceitá-la. Isto deu a Paulo uma grande alegria. Ele transmitiu esta boa noticia aos seus amigos e irmãos em Filipos, para que pudessem saber como Deus estava operando através de sua situação difícil. Por isso ele se expressou: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram tem, antes, contribuído para o progresso do Evangelho” (Fp 1:12).


2. A motivação negativa. “Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia…”.


Paulo ficou sabendo que alguns dos irmãos e irmãs que tinham recentemente demonstrado ousadia para falar a respeito de Cristo o estavam fazendo “por inveja e porfia”. É válido ressaltar que todos aqueles que pregavam a Cristo eram crentes que possuíam a doutrina correta e agiam, compartilhando-a com os outros. Conquanto o resultado final pudesse ser o mesmo (as pessoas ouvindo as Boas Novas), alguns, na verdade, tinham motivos errados em sua pregação. Agora que o grande missionário Paulo tinha sido silenciado, na prisão, alguns desses irmãos estavam esperando fazer um nome para si mesmos, através da lacuna deixada por Paulo. Talvez eles esperassem alcançar uma grande notoriedade, tentando atrair a atenção das pessoas para longe de Paulo e em direção a si mesmos. Estas pessoas não tinham nenhum amor por Paulo. Elas esperavam até mesmo que, ao implantarem igrejas e ganharem convertidos, estivessem aborrecendo a Paulo, tornando, assim, a prisão do apóstolo algo ainda mais frustrante. Eu não duvido que esta síndrome maldita, ainda hoje, se intromete entre aqueles que se dizem pregadores do evangelho.


É bom saber que o foco de Paulo não está nele mesmo, mas em Cristo. O foco do apóstolo está noconteúdo do evangelho, e não na motivação dos pregadores. Sua atenção não está no que as pessoas lhe fazem, mas em como o evangelho avança.


IV. O DILEMA DE PAULO (Fp 1:19-22)


“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne” (Fp 1:23,24).


Embora o apóstolo Paulo estivesse cheio da graça de Deus desejando imediatamente estar com Cristo, ao voltar sua atenção para a necessidade da comunidade de Filipos ele entra num dilema. O dilema era este: “desejo de morrer e estar com Cristo”, mas “julgo mais necessário… ficar na carne” e assim continuar a sua comunhão com os crentes e o serviço a eles.


Embora Paulo tenha vivido em íntima comunhão com Cristo durante o seu serviço na Terra, desde a sua conversão, estar com Cristo no Céu seria uma situação mais próxima e mais íntima do que qualquer homem poderia imaginar. Paulo não tinha dúvida de que a morte seria ainda muito melhor, porque na morte ele atingiria o seu objetivo final (estar com Cristo) e finalmente teria a comunhão eterna na presença de Deus (ler 2Co 2:5-8).


Paulo estava preparado e pronto para morrer a qualquer momento por sua fé, e ele realmente aguardava ansiosamente a morte por causa da certeza de estar com o Senhor para sempre. Mas ele sabia que os seus desejos pessoais tinham que estar subordinados à vontade de Deus. Paulo sentia que o seu ministério na terra ainda não estava completo e que precisava viver para ajudar as igrejas a crescerem e a se solidificarem. Paulo colocava as necessidades dos seus irmãos crentes acima de sua própria vontade. Este deve ser, também, o desejo de todo líder inspirador e responsável com a Obra de Jesus Cristo.


CONCLUSÃO


Paulo jamais centralizou a sua vida em si mesmo, em seus desejos e necessidades. Ele sempre colocou os outros na frente do eu. Ele sempre abriu mão de seus direitos a favor dos outros. A sua gloriosa esperança em meio à adversidade era estar com Cristo, mas por amor à igreja estava disposto a ficar. Se para ele o viver era Cristo, o motivo para continuar vivo era abençoar os irmãos (Fp 1:24,25). Em meio ao sofrimento, e após olhar para o sofrimento alheio, o apóstolo não se julga no direito de partir com Cristo sabendo que poderia ser um instrumento de Deus para encorajar irmãos na fé, edificá-los, e encorajá-los a proclamar o Evangelho ao mundo. A lição apostólica não poderia ser outra: quando olhamos para o sofrimento alheio e decidimos aliviá-lo brota em nós a esperança de sermos salvos das nossas adversidades. Estar com Cristo deve ser o nosso anseio, mas enquanto Ele não vem estaremos com Cristo juntamente com as pessoas sofredoras. O nosso sofrimento deve impulsionar-nos a proclamar a outrem aquilo que nos dá esperança: o Evangelho.


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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com


Referências Bibliográficas:


William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).


Bíblia de Estudo Pentecostal.


Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.


O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.


Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.


Revista Ensinador Cristão – nº 55 – CPAD.


Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal.


 Filipenses – A alegria triunfante no meio das provas – Rev. Hernandes Dias Lopes.


(1)  Paulo, o maior líder do cristianismo – Hernandes Dias Lopes.

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