AS INGERÊNCIAS DE SATANÁS NO TEXTO BÍBLICO

Não faz muito tempo, assisti, pela Internet, a uma conferência do Dr. Wilbur Pickering acerca do texto do Novo Testamento. Entre outras coisas, todas úteis e bem alicerçadas, o irmão Pickering denunciou a forma parcial e irresponsável com que alguns críticos textuais vêm tratando a Palavra de Deus.

Os tais críticos, desde o achamento do Codex Sinaiticus, no século 19, puseram-se a decompor, insolentemente, um texto de comprovada qualidade, que a Igreja Cristã vinha usando desde a era apostólica. E, para justificar sua predação, alegam a antiguidade daquele estranhíssimo documento encontrado por Constantin von Tischendorf, em 1859, no mosteiro de Santa Catarina, bem no sopé do monte Sinai. Afinal, que outro manuscrito é mais antigo que o Sinaiticus? Se é antigo, sua autoridade sobre os demais é inquestionável. Pelo menos, é o que eles dizem.

Para essa gente, antiguidade é tudo. Se o vinho é velho, por que não desqualificar o novo? Todavia, a prudência recomenda-nos a desconfiar de certas paleologias. Nem todo vinho velho é bom. Alguns envelheceram porque não prestavam; ninguém os queria. O que diremos de Satanás? No Apocalipse, é identificado como a antiga serpente (Ap 12.9). E, por ser o Maligno bem mais antigo que nós, devemos ouvi-lo? O mesmo raciocínio deve ser aplicado a esses códices divinizados por sua antiguidade.

EBD Em Foco

Redigido em Alexandria, no Egito, por volta do IV Século, o Codex Sinaiticus traz várias partes do Antigo Testamento e quase todo o Novo Testamento. Até apócrifos, traz. Não fosse a omissão intencional dos últimos 12 versículos do Evangelho de Marcos, o texto neo-testamentário estaria completo; recomendável, jamais. Afirma o Dr. Pickering, os erros são encontradiços em suas páginas.

Como o irmão Wilbur mostrou, no lugar em que deveriam estar os versos restantes de Marcos, há uma lacuna. Aliás, segundo o respeitadíssimo estudioso, o mesmo ocorre com o Codex Vaticano. Se você tiver a oportunidade de examiná-lo, é a única lacuna existente em todo o material. O que teria acontecido? Que o texto foi escrito, não há dúvida. E que o mesmo texto foi posteriormente raspado, também não há dúvida. Mas por que foi apagada do referido códice justamente uma passagem autenticamente pentecostal? Que Deus nos ajude a responder a essa pergunta.

Um tanto ressabiado, busquei conferir a informação de Pickering. Fui ao fac-símile do tal códice que temos na biblioteca da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. E, ali, entre o final de Marcos e o início de Lucas, deparei-me com a estranha lacuna. Para mim, alguém maldosa, ou acidentalmente, raspou aqueles doze versículos. Talvez, por essa razão, o responsável por aquela oficina de escribas achou por bem arquivar todo o material. Se você quiser conferir essa informação, examine-o na Internet; a imagem já está disponível.

Mas os problemas com esses “antigos e infalíveis” códices não se limitam a essa omissão. Aqui e ali, suas falhas erguem-se contra a genuína cristologia do Novo Testamento. Vejamos 1 Timóteo 3.16.

Na tradução de João Ferreira de Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original, lemos: “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória”. Se nos voltarmos, agora, à versão Almeida Revista e Atualizada no Brasil, deparar-nos-emos com uma modificação seriamente preocupante: “Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória”. 
Na primeira versão, os tradutores usaram o Texto Recebido. Texto esse, aliás, utilizado pelos reformadores e pelos eruditos do rei Tiago, da Inglaterra. Quanto aos tradutores da segunda versão, usaram certamente o Codex Sinaiticus. A essas alturas, poderá você perguntar-me: “No segundo texto, a presença da segunda Pessoa da Santíssima Trindade já não está subentendida?”.

Você não precisa ser doutor em hermenêutica, para saber que esta mudança, aparentemente pequena e até sutil, traz sérias implicações ao texto sagrado. Em primeiro lugar, quem se manifestou em carne? O Filho de Deus, ou um ser humano qualquer? Isto porque, todos nós, filhos de Adão e Eva, entramos neste mundo manifestados em carne. Além disso, essa alteração transformou um texto que, no original, era uma cristologia descendente e dedutiva, numa cristologia indutiva e ascendente. Ou seja: da belíssima passagem de Paulo foi extirpado todo o significado original. Agora, ela pode ser aplicada a qualquer líder religioso como Buda e Maomé, ou Joseph Smith.

Numa próxima oportunidade, pretendo voltar ao assunto e trazer mais alguns exemplos de intervenções satânicas no texto sagrado. Quanto às versões mais fiéis aos originais, recomendo duas: a ARC, Almeida Revista e Corrigida e a Fiel. Que Deus nos ajude a preservar o texto sagrado conforme no-lo transmitiram os santos profetas e apóstolos de Nosso Senhor.

Por Claudionor de Andrade

Fonte: CPAD NEWS

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