A Disciplina da Criança no lar

educacao-dos-filhos-3“E na verdade, toda correção no presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hb 12.11)

Neste artigo trataremos da disciplina da criança no lar, a partir da mais tenra idade e, como deve ser ela aplicada. Logo se vê que cabe aos pais, no ambiente do lar, a tarefa da disciplina amorosa, coerente e justa da criança. Desde os tempos do Antigo Testamento, Deus designou o lar como a escola básica de formação estrutural dos filhos. Isso é notório, principalmente em Deuteronômio. Ver 4.9; 6.4-9; 11.18,19; 31.12,13. Escolas outras, como sistema de instrução para a criança, como temos em nossos tempos é uma instituição de poucos séculos.

Os falsos educadores do momento, movidos pelo gás do insano materialismo e do hedonismo maquiavélico, insinuam que disciplinar a criança é violentá-la, pensando eles que sabem mais do que Deus, cuja Palavra adverte aos responsáveis: “Não retires a disciplina da criança” (Pv 23.13). O governo, a sociedade e a igreja falam muito em escola para a população infantil, mas os pais precisam igualmente de escola para corretamente criarem seus filhos, para, como diz a Escritura, criá-los “na disciplina do Senhor” (Ef 6.4). Sim, a primeira responsabilidade na educação da criança cabe aos pais, e em segundo lugar à igreja e às instituições de ensino.

A Aplicação da Disciplina à Criança

Todo ser humano desde o seu nascimento é por natureza incuravelmente rebelde e desobediente. Em momentos favoráveis e propícios e, também dependendo do temperamento da criança, isso pode não parecer geral, mas quanto a índole do ser humano, não há exceção. “Mas o homem vão é falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montês” (Jó 11.12). “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras” .(SI 58.3) . O livro de Gênesis relata que Jacó e Esaú brigaram ainda no ventre da mãe. E você, leitor, quanto a natureza humana hereditária, não é em nada diferente, a não ser que Jesus reine soberano em nossa vida.
“Disciplina na sua definição geral é um recurso corretivo desagradável que se aplica a alguém, para que corrija por estar a comportar-se de forma desagradável, ilícita e desordenada, tendo em vista os princípios da lei moral de Deus”. No caso da criança, é em resumo, com amor e bom- senso, fazer a criança obedecer mediante o ensino.

Como deve ser a disciplina da criança

Ela deve ser primeiramente “preventiva”. Esta forma de disciplina é relativamente suave, branda, leve, mas sem deixar de ser firme e constante; caso contrário, não produzirá o necessário e benéfico efeito. Caso os pais ou responsáveis diretos não cuidem, com amor e sabedoria, de aplicar a “disciplina preventiva” na criança, eles terão de aplicar a segunda forma – a “corretiva” que é pesada, dolorosa e trabalhosa para os pais e para a criança, ao passo que a “preventiva” não envolve maiores problemas, nem para os pais, nem para a criança.

Eli, tudo indica, não cuidou da disciplina preventiva de seus filhos e as consequências disso foram trágicas para os filhos e para ele (1 Sm 3.11- 14). É o caso também de Adonias, filho de Davi, que na infância, agia como queria, sem limites fixados por seu pai. Sem a necessária “disciplina preventiva”, como nos mostra 1 Reís1.6, Adonias tornou-se arbitrário, desregrado,imoderado, e na velhice de seu pai, ele maquinou usurpar o trono do próprio pai em conluio com outros desordenados como ele também o quadro descrito em Provérbios 29.15 – a criança absoluta no seu viver, e agir, por desconhecer limites que só a correta disciplina estabelece,antes os padrões da ética, da retidão e dos parâmetros estabelecidos na santa Palavra de Deus.

A Disciplina Preventiva da Criança

A disciplina preventiva é eficaz para os filhos quando estes são bem pequenos. Se a criança já é grandinha, os pais perderam a oportunidade de educá-la segundo os princípios da puericultura. Os pais perdem tal oportunidade por julgarem que a criança torna-se obediente e boazinha por acaso e com o passar do tempo, quando isso é pura ilusão, fruto do dessaber e do despreparo para o casamento e para a criação de filhos. Vejamos alguns meios dos mais comuns de “disciplina preventiva” da criança. Pela “fala”, conforme a etariedade da criança. Outro meio é o da “privação” de coisas que a criança gosta, mediante proibição; isto é, negação do uso de coisas não essenciais de que a criança gosta; suspensão de privilégios, de regalias, de concessões etc. Outro meio comum é o de restringir ou limitar, com amor e firmeza, o uso de algo que a criança quer, usa, ou pede etc.

A Disciplina Corretiva

Como já dissemos, quando os pais deixam de aplicar a disciplina preventiva, e, com oração e aconselhamento pastoral, tentam reverter a situação disciplinar da criança, deverão aplicar a disciplina corretiva, da qual vamos citar alguns das suas formas mais simples e mais comuns, dependendo da etariedade e do desenvolvimento mental e da escolarização da criança. Num caso como esse aqui abordado o ideal é que esses pais, antes frequentem uma “Escola de Pais”, que costuma ser seminários de oito dias promovidos por educadores cristãos especializados, sob o patrocínio das igrejas. Discip1ina corretiva por “inversão de comportamento”; isto é, levar a criança a fazer o que ela não quer, ou negar o que ela está disposta a fazer. Outra forma ou meio é a correção por terapia. É determinar tarefas devidamente dosadas, controladas, orientadas, explicitadas, e sempre supervisionadas, ora direta, ora indiretamente, pelos pais ou responsáveis. Outra forma é o da correção por “remissão”. É a remissão julgada necessária, da criança quando culpada de maus- -tratos a outra criança. “Correção por castigo corporal”. Esta forma de disciplina corretiva deve ser firme, mas não férrea, nem agressiva, e muito menos punitiva. Punição aplica-se a delinquentes, e não a filhos. Outrossim, esta forma de correção deve ser explicitada, coerente e transparente.

A Correta Disciplina da Criança

Se a disciplina for aplicada devidamente dosada, com amor, bom-senso, no momento certo, com equidade, imparcialidade, não por sentimentalismo, ira ou espírito vingativo, ela sempre produzirá o bom efeito desejado, sadio e duradouro. A disciplina como estamos esboçando neste artigo, concerne à primeira, segunda e terceira infâncias (isto é, até aos 2 anos; de 3 a 5 anos; e de 6 aos 10/11 anos). Disciplina além dessa idade é matéria para outro artigo, orientando os pais a frequentarem uma Escola de Pais.

“Os pais nunca devem esquecer que amor aos filhos sem disciplina, não é amor real; é falso; é fantasia; é sentimentalismo, em que os pais confundem sentimento com amor virtuoso. Por outro lado, disciplinar os filhos sem amor. é repulsivo, é desumano é tirania, é autoritarismo e só produzirá efeitos contrários aos esperados. Causando danos irreparáveis à alma da criança, bem como à sua estrutura psicológica”. Certamente os pais, bem como futuros pais, observaram que disciplinar no sentido correto não é primeiro bater, aplicar castigo, surrar, espancar. Quando isso acontece é porque os pais não disciplinaram a criança como aqui esboçado; isto é, no devido tempo, através da “disciplina preventiva”.

Autor: Pr. Antonio Gilberto

Mestre em Teologia; Licenciado em Pedagogia e Letras; Psicólogo; Membro da Academia Evangélica de Letras; Membro da Casa de Letras Emílio Conde; Autor do livro Manual da Escola Dominical, A Escola Dominical entre outro, todos editados pela CPAD; Comentarista da Revista Lições Bíblicas para Jovens e Adultos da CPAD; Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD; Membro da junta diretora da Global University, em Springfield – Missouri/EUA.

Extraído da Revista Ensinador Cristão
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