
“Auê” de Marco Telles: Heresia, Sincretismo ou a Verdadeira Brasilidade Cristã?
Ritmos de terreiro na igreja? Gírias populares no altar? Descubra se a canção ‘Auê’ é uma ponte para o Evangelho ou um desvio perigoso. Entenda o conceito de Inculturação e como a Bíblia responde a essa polêmica!
Este estudo visa analisar, sob a ótica da Teologia da Cultura, uma das obras mais debatidas da música cristã brasileira contemporânea. O objetivo não é definir um veredito final, mas expor as tensões teológicas entre a preservação da tradição e a contextualização missionária.

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🌟 Introdução ao Conceito: A Fé e o Solo
A teologia não flutua no vácuo; ela se encarna. O conceito central aqui é a Inculturação ou Contextualização. Biblicamente, isso se baseia na doutrina da Encarnação (João 1:14), onde o Verbo se faz carne em uma cultura específica (judaica), sem perder sua essência divina. No caso de “Auê”, o debate gira em torno de quão “brasileiro” o Evangelho pode soar sem se misturar com elementos espirituais estranhos ao cristianismo.
📖 Base Bíblica e Contexto Histórico
- O Conflito de Atos 15 (O Concílio de Jerusalém): A primeira grande crise da igreja foi cultural. Judeus convertidos queriam que os gentios se tornassem judeus para serem cristãos. A decisão apostólica foi: não se deve impor fardos culturais desnecessários (Atos 15:28).
- O Altar ao Deus Desconhecido (Atos 17:22-31): Paulo utiliza a arte e a poesia grega para pregar o Evangelho. Ele “redime” o vocabulário cultural de Atenas para apontar para o Cristo.
- Contexto Histórico: No Brasil, por muito tempo, a música cristã foi uma importação direta de hinários americanos e europeus. “Auê” surge como uma tentativa de romper com o colonialismo estético, usando a percussão e expressões populares.
⚖️ Exposição do Debate: Prós e Contras
Abaixo, apresentamos as duas correntes de pensamento sobre a obra:
1. A Visão Crítica (O Receio do Sincretismo)
- Argumento: O uso de ritmos e expressões (como “Auê”) associados historicamente a cultos de matriz africana ou festas carnavalescas pode gerar confusão espiritual ou “escândalo” para os fracos na fé (1 Coríntios 8:9).
- Fundamentação: Baseia-se no conceito de Separação do Mundo. Defende que a música cristã deve ter uma sonoridade “distinta” e “reverente”, evitando qualquer semelhança com o que foi usado para idolatria.
- Risco apontado: O sincretismo — a fusão de doutrinas cristãs com práticas pagãs.
2. A Visão Favorável (A Redenção Cultural)
- Argumento: Nenhuma cultura ou instrumento é inerentemente mau. O “Auê” é apenas uma expressão de júbilo da língua portuguesa. Se a letra exalta a vitória de Cristo sobre a morte, o ritmo é redimido para o serviço de Deus.
- Fundamentação: Baseia-se na Graça Comum (Abraham Kuyper). Deus é o dono de todos os sons. Se a verdade bíblica (“A morte morreu”) é o centro, a cultura brasileira é o veículo.
- Benefício apontado: A quebra de barreiras para o evangelismo e a afirmação da identidade cristã brasileira.
📚 Explicações Teóricas: Autores Renomados
- Richard Niebuhr (“Cristo e Cultura”): Ele propõe o modelo de “Cristo o Transformador da Cultura”. Nesta visão, o cristão não foge da cultura, mas a converte para a glória de Deus. “Auê” seria uma tentativa de transformar a “festa” brasileira em “festa pelo Reino”.
- C.S. Lewis: Defendia que o cristianismo deve ser “traduzido” para a linguagem popular. Se o povo entende “Auê” como alegria, usar esse termo é uma estratégia de tradução espiritual.
🧠 Mapa Mental: Os Eixos de “Auê”
- MENSAGEM (O Conteúdo): Vitória de Cristo (Christus Victor) → Teologia Bíblica Pura.
- ESTÉTICA (A Forma): Ritmo brasileiro, percussão, expressão corporal → Cultura Local.
- TENSÃO (O Conflito): Tradição Eclesiástica vs. Liberdade Artística.
- RESULTADO (O Objetivo): Adoração encarnada e contextualizada.
🛠️ Aplicação Prática na Vida Cristã
Como o crente atual deve lidar com isso?
- Discernimento: Analisar a letra. Se a letra é fiel à Escritura, a música cumpre seu papel didático.
- Liberdade com Responsabilidade: Entender que a liberdade cultural não deve ser usada para o pecado, mas para a expressão da alegria da salvação.
- Respeito mútuo: Aqueles que preferem hinos tradicionais e aqueles que se alegram com a brasilidade devem conviver em amor, priorizando a unidade do Espírito.
❓ FAQ: Perguntas Frequentes
| Pergunta | Resposta Teológica |
|---|---|
| “Auê” é uma palavra espiritual? | No contexto de Marco Telles, é uma interjeição de alvoroço e celebração, sem conotação religiosa de outra ordem. |
| O Evangelho precisa de sotaque? | O Evangelho é universal, mas sua expressão é sempre local. Deus fala todas as línguas e entende todos os ritmos. |
| Pode dançar ao som dessa música? | A Bíblia registra danças de júbilo (Salmo 149:3). A questão é a motivação do coração e o ambiente de decência e ordem. |
📚 Recursos e Subsídios Sugeridos
Para aprofundar este tema em sua aula ou estudo pessoal, recomendamos os recursos do Site EBD Interativa:
- Slides de Teologia: “Cristo e Cultura: Como o jovem deve se posicionar?”.
- Artigos: “A música na história da Igreja: De Lutero aos nossos dias”.
- Vídeos: Debates sobre contextualização missionária no Brasil.
Sua opinião e visão bíblica sobre o assunto?
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É autor, pastor, professor e palestrante, formado em pedagogia e teologia, escritor e Editor do Portal EBD Interativa.

















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