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Quem mata mais? Pessoas só morrem de Covid? Covid-19: mais de 320 milhões de crianças sem acesso a merenda escolar

Covid-19: mais de 320 milhões de crianças sem acesso a merenda escolar

mercado2/Public Domain Salas de aula estão vazias em todo o mundo devido à pandemia de covid-19

Em entrevista à ONU News, especialista da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, explica impactos da pandemia na alimentação do grupo; somente na América Latina e Caribe, estes programas beneficiam 85 milhões de meninos e meninas.

Mais de 320 milhões de crianças em todo o mundo estão perdendo refeições escolares devido ao fechamento da escola por causa do covid-19, segundo a diretora do Escritório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, em Nova Iorque.

Em entrevista à ONU News, Carla Mucavi disse que muitas dessas crianças são de famílias pobres e dependem das refeições diárias que recebem na escola.

A diretora do escritório da FAO, em Nova Iorque, Carla Mucavi, Foto FAO

Preocupação

“É uma grande preocupação. Mesmo em países desenvolvidos, sabemos que as grandes imposições que foram tomadas também foram de encerramento de escolas e é lá que as populações vulneráveis, sobretudo as crianças, eram alimentadas. Nós temos programas alargados de alimentação escolar, que permitem que as crianças tenham uma refeição, que muitas vezes não tem nas suas casas.”

Somente na América Latina e Caribe, os programas de merenda escolar beneficiam 85 milhões de crianças. Para cerca de 10 milhões, estas refeições são a fonte diária de alimentos mais confiável.

Apoio

A FAO apoia programas deste gênero em todo o mundo. Outra agência da ONU, o Programa Mundial de Alimentação, PMA, ajuda iniciativas em 37 países onde as escolas já foram fechadas. Isso significa que quase 9 milhões de crianças não estão mais recebendo estas refeições.

Para famílias pobres, o valor de uma refeição na escola é equivalente a cerca de 10% da renda mensal de uma família. Para famílias com vários filhos na escola, isso pode significar uma grande perda de renda.

Segundo Carla Mucavi, as agências da ONU estão se reunindo com autoridades de vários países para encontrar alternativas à distribuição desses alimentos. 

“Nós estamos a trabalhar com os governos para que esta assistência alimentar seja levada às crianças, aos estudantes, sobretudo crianças das escolas primárias e secundérias. É preciso que haja um processo que permita que esta alimentação continue a chegar a estas crianças, para que não se encontrem em situação de insegurança alimentar e sobretudo défice nutricional, que é uma das preocupações que o mundo enfrenta.”

Alternativas

Segundo a agência, é preciso encontrar alternativas para fornecer as contribuições nutricionais geralmente garantidas pelos programas de merenda escolar. 

Uma das opções é distribuir alimentos para as famílias mais carentes, estabelecendo prazos de entrega nas escolas ou através de unidades móveis. Os programas de proteção social também podem ser esticados, aumentando, por exemplo, as transferências de renda em um valor correspondente ao custo das refeições. 

Também podem ser entregues alimentos para as comunidades e territórios, em coordenação com governos e organizações internacionais. Podem ainda ser eliminados impostos sobre alimentos básicos para famílias com crianças em idade escolar, especialmente para trabalhadores dos setores econômicos mais afetados. 

A FAO sugere ainda que as merendas escolares sejam doadas a entidades responsáveis por assistência alimentar, como bancos de alimentos, organizações não-governamentais e igrejas. A agência alerta, no entanto, que deve existir um monitoramento rigoroso dos protocolos de segurança alimentar.

Fonte: ONU NEWS

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