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Lição 2 – A Criação de Eva, a Primeira Mulher

1 ºTrimestre de 2020

ESBOÇO GERAL
I – A MULHER NO PLANO DE DEUS 
II – A CRIAÇÃO DA MULHER
III – A MISSÃO DA MULHER 

EVA, A MÃE DE TODOS OS VIVENTES

Claudionor de Andrade

Não foram muitos os teólogos que souberam avaliar o papel de Eva na História Sagrada. Vemo-la, às vezes, como aquela mulher que, descuidada e curiosa, deixou-se vencer pela velha e matreira serpente. Todavia, a primeira mulher haveria de revelar-se, depois da Queda, como uma sábia e arguta teóloga; ela não teria dificuldades para entender os planos de Deus. Neste tópico, portanto, consideraremos a sua criação, a sua transgressão e sua queda e, por último, o seu trabalho como auxiliar de Deus. 

1. A criação de Eva, a primeira mulher. Conforme vimos no capítulo anterior, Deus suscitou a primeira mulher dos costados do primeiro homem. Daquela costela, na qual se achavam as mais perfeitas células-tronco, o Pai Celeste criou Eva, um ser bem semelhante a Adão; uma ajudadora idônea, sábia e graciosa. Um milagre que ia além da genética; uma perfeição espiritual, psicológica e física.

Cabe, aqui, uma indagação: “Por que teve o Senhor de extrair a mulher do homem? Não lhe seria mais fácil e prático moldá-la a partir do mesmo pó com que Ele, sábio Criador, plasmara Adão, o primeiro ser humano?”. Ora, a resposta não exige muito exercício intelectual. Justamente por ser um Deus não apenas sapientíssimo, mas a própria sabedoria, foi que tirou a primeira varoa do flanco do primeiro varão.

Suponhamos que Eva fosse, à semelhança de Adão, tomada do pó da Terra, e não da costela deste. Nessa hipótese, ainda teríamos dois seres humanos. A humanidade, porém, seria impossível, porque não haveria um tronco genético comum. Além do mais, olhar-se-iam ambos como estranhos, e não como pertencentes à mesma espécie.

Entretanto, como Eva foi tomada de Adão, fizeram-se uma só carne, tornando possível o casamento, a sociedade, o Estado e a própria espécie humana. A doutrina do monogenismo genético é uma das mais importantes da Bíblia Sagrada, porquanto leva-nos a ver toda a raça humana como una e complementar, e não como um quebra-cabeça irremontável e absurdo. No Areópago, em Atenas, o apóstolo Paulo deixou esta proposição bastante clara aos filósofos epicureus e estoicos:

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração. (At 17.24-28)

Concluindo, Deus, ao suscitar a mulher do homem, tornou possível a espécie humana. Temos, no Gênesis, pois, não uma parábola mitológica, mas uma narrativa coerente, histórica e, em termos científicos, plenamente aceitável.   

2. O abandono de Eva e a sua transgressão. Se não lermos o capítulo três de Gênesis com atenção e discernimento, seremos induzidos a imaginar uma Eva simplória, tola e facilmente ludibriável. Mas essa imagem não corresponde à personalidade de nossa protogenitora. Nos poucos versículos que a descrevem, deparamo-nos com uma mulher sábia, educadíssima e com uma capacidade verbal impressionante. Neste ponto de nossa exposição, aparecerá alguém com uma pergunta que, embora pareça sábia, não revela sabedoria alguma: “Se a nossa primeira mãe possuía todos esses atributos, e outros que não foram declinados, como pôde deixar-se enganar pela serpente?”.

Não nos esqueçamos de que Eva não foi atraída a discutir com um ser irracional, asqueroso e rastejante como a serpente. Conquanto falasse com o réptil, na verdade, estava ela a dialogar com Satanás, que, ao encantar aquele animal e abrir-lhe a boca, fê-lo verbalizante e palrador. Antes que você me encaminhe outra pergunta, anteciparei a minha resposta: Sim, eu acredito piamente que a serpente falou, porque, nessa passagem, não há parábola ou apólogo, mas uma narrativa real, verídica e histórica. Se não aceitarmos a veracidade desse relato, teremos de ver como mentira o episódio no qual a jumenta de Balaão falou, repreendendo finamente o profeta grosseiro e louco (Nm 22.21-30).

Tenhamos em mente, pois, de que Eva foi enredada pelo mais arguto dos teólogos: o próprio Satanás que, ao longo da História Sagrada, ganharia outros nomes, apelidos, apodos e alcunhas. Ali, porém, em nada parecia com o Diabo que haveria de tentar Jesus, nem com o Dragão que sairá a seduzir as nações no Apocalipse. Sim, ali, querido leitor, estava um arguto e finório teólogo, com uma experiência de séculos e milênios, a tentar uma solitária mulher que, emocionalmente, ainda não acabara de sair de sua adolescência emocional. 

Ao escrever a Timóteo, o apóstolo Paulo esclarece-nos de que Eva foi, de fato, enganada e iludida pela teologia serpenteante de Satanás (1 Tm 2.14). Isso significa que a mulher não se rebelou conscientemente contra Deus, nem caiu na apostasia. Não estou inocentando-a; atenho-me tão somente ao texto bíblico. O próprio doutor dos gentios reconheceu a capacidade teológica de Satanás: “Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2 Co 11.3, ARA).

Querido leitor, antes que você me encarreire outra pergunta, antecipar-lhe-ei mais uma resposta. Eu, particularmente, não considero Satanás um verdadeiro teólogo. Se ele é o pai da mentira, como pode ser verdadeiro? E se não é verdadeiro, como pode ser teólogo? Afinal, a matéria-prima do teólogo genuinamente bíblico é a verdade — Jesus Cristo Nosso Senhor. 

Houve uma época, porém, em que o Diabo, conhecido então como o querubim ungido, era um celebrado teólogo nos céus; era perfeito em seus conhecimentos divinos. Mas, desde o dia em que se deixou levar pela soberba, passou de teólogo a um perigoso e letal operador da teologia. É bem possível que você já tenha se deparado com gente dessa espécie; alegam conhecer a Deus, mas nunca tiveram um encontro pessoal e experimental com o Senhor.

Infelizmente, Eva deixou-se engodar pela cantilena gnóstica: a busca de um conhecimento além do conhecimento divino. No Apocalipse, tal saber é classificado como as profundezas de Satanás (Ap 2.24). Tendo Eva já comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, oferece-o ao marido que, sem relutar e bem consciente do que fazia, também o come. E, comendo-o, transgride e peca contra o Senhor.

Naquele exato instante, abrem-se-lhes os olhos; o homem e a mulher assustam-se com a própria nudez; vergonha e culpa. Vê-se, pois, que o pecado adentrou o mundo por meio de Adão, e não de Eva. É o que o apóstolo Paulo escreve aos romanos: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12, ARA). Pobre Eva, como encararia, agora, o juízo divino?       

3. Eva, a auxiliar de Deus. Calada e indefesa, Eva ouve a acusação do esposo. Alega este que, se não fosse ela, estaria tudo bem; jamais haveria ele de comer ou sequer provar daquele fruto. Aliás, nem para a frondosa árvore, olharia. O que a mulher poderia apresentar em sua defesa? Limita-se a falar a verdade; não encobre qualquer fato: “A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.13). 

Naquele julgamento, o depoimento de Eva foi o mais sincero e verdadeiro. Sim, a serpente, encantada por Satanás, iludiu-a com uma dialética irresistível; teologia e filosofia fundiram-se malignamente na boca do réptil. Entre as meias verdades e as meias mentiras do Inimigo que, a essas alturas, já era também Diabo, ela quebranta o mandamento divino.

Daquele momento em diante, além dos prejuízos espirituais, morais e emocionais, nossa primeira mãe teria de arcar, igualmente, com incômodos e dores em suas gravidezes e partos. E, finalmente, haveria de enfrentar um momento terminal: a morte física. Qual, pois, a sua perspectiva? 

Encerrado o juízo no Éden, ela e o esposo são despejados do jardim. O autor sagrado, para sublimar a elegância e o cavalheirismo de Deus, sutilmente observa: “O Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado” (Gn 3.23, ARA). Naquele momento, o Supremo Juiz, levando em conta a fragilidade da mulher, tratou-a como um vaso mais fraco, prestes a quebrar-se.

Por essa razão, bane-a indiretamente do paraíso, por intermédio de seu esposo, que, de fato, era o grande responsável pela introdução do pecado no mundo, conforme acentua o doutor dos gentios (Rm 5.12). Por essa razão, Pedro aconselha os maridos a cuidarem da esposa com brandura e lhaneza: 

Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações. (1 Pe 1.7, ARA)

As palavras do apóstolo devem ser devidamente consideradas, porque ele, sendo casado, estava muito bem afeiçoado às lides conjugais.

Ao dialogar com a mulher, através da serpente, visava Satanás não apenas levá-la ao pecado, mas aliançar-se espiritualmente com ela, objetivando três coisas: privar o homem de uma companhia idônea e sábia; frustrar os planos de Deus quanto à humanidade; e, finalmente, extinguir a espécie humana ainda em seu nascedouro. Tais itens, aliás, constituem o fundamento do movimento feminista.

Já imaginou se todas as mulheres fossem inimigas do esposo? Este ficaria privado tanto da companhia feminina quanto de uma descendência, a fim de perpetuar-lhe o nome. Isso fatalmente haveria de acontecer, porquanto ela, ao dar ouvidos à voz do Maligno, rejeitaria ambas as missões para as quais fora criada: a conjugal e a maternal. Consequentemente, a espécie humana não demoraria a ser extinta, pois a mulher, como a nossa matriz genética por excelência, também acabaria por desaparecer. E, dessa forma, os planos de Deus, com respeito à criação da Terra, e também dos Céus, ver-se-iam frustrados.

Ao entabular aquela conversação com Eva, por meio de uma dialética irresistível, Satanás tinha em mente esvaziá-la de toda a sua feminilidade, para entulhá-la de um feminismo perverso e destruidor. Aliás, que feminismo não é destruidor e perverso? Esse objetivo do Maligno, presente em todas as agendas globalistas e esquerdistas, será amplamente implementada pelo Anticristo que, declaradamente, é um cruel inimigo do sexo feminino, conforme antecipa-nos o profeta Daniel: “Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem ao desejo de mulheres, nem a qualquer deus, porque sobre tudo se engrandecerá” (Dn 11.37).

Para destruir as bases da aliança entre a serpente e a mulher, a essas alturas já bem sedimentadas, o Senhor decreta a inimizade entre ambas. Volta-se, então, ao réptil asqueroso, e declara ao Maligno: 

Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. (Gn 3.14,15, ARA)

Quebrada a fatídica aliança, torna-se Eva auxiliar do Criador. Já fora do Éden, coabita com Adão, concebe e dá à luz o seu primogênito. E, ao embalá-lo carinhosamente, faz-se teóloga, e glorifica a Deus: “Adquiri um varão com o auxílio do Senhor” (Gn 4.1, ARA). Mais adiante, após haver perdido Abel, seu filho caçula, sua teologia chega ao ápice. Conquanto tomada pela dor, enaltece a Deus pela chegada de Sete: “Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou” (Gn 4.25, ARA).Em sua missão de mãe e esposa, Eva alcança, pela fé nos méritos retroativos de Jesus, a salvação de sua alma. Cumpre-se plenamente, em sua vida, o que Paulo escreveria a Timóteo: 

E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso. (1 Tm 2.14, ARA)    

Texto extraído da obra “A Raça Humana: Origem, Queda e Redenção”, editada pela CPAD.

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Videoaula – pastor Claudionor de Andrade

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